Na chamada do Fantástico de hoje à noite, estão anunciando entrevista com o "assassino de Luziânia", que matou seis jovens na cidadezinha goiana. Fico me perguntando o que um assassino pedófilo pode ter a dizer que seja de interesse da população. Mas, na verdade, o que me intriga é outra questão.
A alguns dias atrás choveram criticas ao programa do Ratinho, por conta de uma entrevista que realizou com um assassino – não convém dizer o nome. Fiquei bastante espantada quando vi a chamada e não tive coragem de assistir, pois tal criatura me causa repúdio e não ia ser eu a lhe dar ibope.
Confesso que achei de extremo mau gosto, pois, imagino o quanto deva ser cruel para a mãe da vítima e as pessoas que a amavam ter que se defrontar com a triste realidade: o monstro que tirou deles uma pessoa querida, livre, leve e solto dando entrevistas na televisão, tal e qual um astro, quando deveria estar atrás das grades pagando pelo seu crime.
Logo depois do programa, surgiram várias discussões sobre o limite da imprensa, da mídia, até onde se pode ir. Não sei se o objetivo de Ratinho & Companhia era levantar polêmica, mas se era, conseguiram. Porém, o que fica martelando na minha cabeça é o seguinte: Qual a diferença entre o dito-cujo entrevistado por Ratinho e o que será entrevistado pelo Fantástico? E entre estes e os Nardoni? (ao que me lembro o casal infanticida também foi entrevistado na televisão). Será que é pelo fato de um estar preso e o outro livre? Ou pelo fato da entrevista de hoje ser numa emissora considerada mais séria?
Não consigo entender qual a diferença. Não sou critica de TV e muito menos censora. Gosto do Fantástico; há sempre várias matérias interessantes e algumas histórias são um prato cheio para inspirar um roteirista. Também não me sinto muito a vontade para fazer criticas, já que não vi as entrevistas. Pode ser que o que mude seja a abordagem, não sei. Mas penso que devem machucar aos familiares do mesmo jeito.
domingo, 18 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Cama de Gato vai deixar saudades
Desde criança sempre amei novelas, vibrava e torcia com as reviravoltas, as dores e os amores dos personagens. Aquelas criaturas entravam na minha casa sem cerimônia e eu acabava gostando delas, como de amigos queridos que viessem sempre me visitar de segunda a sexta-feira no mesmo horário.
Naquela época havia o famigerado “Recomendado para maiores de... " e minha mãe seguia direitinho esta recomendação. Desta forma, eu acabava vendo apenas os programas considerados apropriados para minha faixa etária(sei que hoje ainda existe classificação indicativa, mas conto nos dedos os pais que a levam a sério).
Para muita gente isto pode parecer apologia a censura, mas não penso assim. Acredito que cada época da vida tem sua beleza e tudo tem o seu tempo. Sou grata a minha mãe, pois vivi minha infância e adolescência em sua plenitude, sem pular etapas. Minhas novas emoções e descobertas aconteceram no devido tempo, quando corpo, mente e coração já podiam compreender – ou pelo menos apreender – o mundo que me rodeava, fosse o mundo real, fosse o da ficção. Além disso, tenho doces lembranças daquele tempo, quando movida pela curiosidade, tentava espionar atrás da porta quem era a tal da Dona Beija e porque ela era proibida para mim.
Portanto, ao contrário do que acontece com as crianças de hoje, os programas que marcaram a minha infância e o inicio da adolescência foram aqueles considerados “censura livre”. Quando se fala em novelas, isto significa dizer que foram os folhetins das dezoito horas (e também o das dezenove, vá lá) que me fizeram descobrir desde cedo que eu adorava uma boa história, contada em capítulos: Livre para voar, Sinhá Moça, O sexo dos anjos, A Gata Comeu, Vereda Tropical, Cambalacho, todas inesquecíveis para mim.
O tempo passou, cresci, estudei, me formei e aí veio a vida adulta: trabalhar, ganhar dinheiro, dirigir, enfrentar o trânsito do Rio de Janeiro, casar, cuidar do lar, fazer o jantar... afazeres normais, de gente grande. Continuei adorando novelas, mas, já não havia tempo para elas com tanta coisa mais importante para se fazer. No mundo real onde o tempo urge como perder preciosos minutos sentada na frente de uma TV para mergulhar em um mundo de fantasia?
Uma novela tem que prender a nossa atenção por capítulos e mais capítulos, temos que ter interesse pelo seu desenrolar, pelo que vai acontecer a seguir, pois só assim vale a pena parar para assisti-la. Por pura falta de tempo, passei a acompanhar apenas alguns capítulos da novela das 20 horas, quando podia, mas, somente com Caminho das Índias voltei a acompanhar fielmente uma novela e torcer de verdade pelo destino de seus personagens. Vez ou outra dava uma espiada na novela das dezenove horas, mas a das dezoito era impossível. Até que resolvi dar uma espiada em Cama de Gato um dia e algo chamou minha atenção, resolvi ver outro dia e outro e pronto... Quando vi estava fisgada, completamente apaixonada pela novela de Duca Rachid e Thelma Guedes!
Cama de Gato me encantou do começo a fim. É claro que, como em toda novela, alguns finais pareceram forçados (Alcino só descobriu que amava Mary no último capítulo? E o amor dele por Rose? Desapareceu?). Ainda assim, no âmbito geral, foi um belo final, coerente com o desenrolar de uma trama que teve ação, suspense, romance e personagens apaixonantes, todos os ingredientes necessários para prender a atenção do telespectador.
Quando destacamos o trabalho de alguém dentro de uma equipe – como é o caso de uma novela – sempre corremos o risco de sermos injustos, mas ainda assim quero dar meus parabéns a algumas pessoas em especial. Primeiramente às autoras e aos colaboradores, pois sei que não é fácil segurar a onda de prender a atenção do público por meses e meses, ainda mais num horário tão ingrato.
Dito isto, passemos ao elenco. Li em algum lugar de que nada adianta o autor escrever o melhor texto do mundo, se o ator não souber falá-lo e concordo plenamente. Cama de Gato tinha personagens que poderiam cair no maniqueísmo e ser uma armadilha para qualquer ator, mas graças ao talento dos seus interpretes escaparam deste destino.
Paola Oliveira defendeu com garra uma vilã que não faria feio em nenhuma novela das 21 horas. Verônica foi a grande responsável pela maioria das “camas de gato” que deram título a história e conseguiu a proeza de dar veracidade ao arrependimento de sua personagem no último capítulo, mesmo que esta tenha se comportado como uma psicopata durante toda a trama.
Porém, acredito que no século XXI ainda mais difícil do que interpretar o vilão é interpretar o mocinho, pois muitas vezes o bonzinho é confundido com o chato. Mas Rosenilde, a protagonista de Cama de Gato passou longe deste estigma. Pelo contrário, era muito fácil se identificar com ela, uma mulher do povo, alegre e guerreira. Rose não contou uma única mentira a novela inteira e manteve o seu perfil de mulher integra e honesta até o fim. Camila Pitanga abraçou com louvor a tarefa de dar vida a esta mulher e conseguiu passar a verdade da personagem também para os telespectadores. Camila – linda e carismática, como sempre - nos fez acreditar e torcer pela valente Rose, que em nada lembrava a também inesquecível Bebel, de Paraíso Tropical ( e ainda nos convenceu de que era mesmo mãe de quatro filhos, dois deles bem crescidos).
Para completar, merece destaque o trabalho de Carmo Dalla Vecchia. Se não é fácil segurar uma mocinha, que dirá um mocinho como Alcino, condenado desde o primeiro capítulo a morte por conta de uma doença terminal? Qualquer descuido e ele poderia se tornar chato e piegas. Mas Carmo conseguiu criar um personagem adorável e foi responsável por alguns dos momentos mais emocionantes da trama. Está de parabéns.
Com um texto bem escrito – daqueles que primam pela emoção, sem cair no dramalhão – Cama de Gato ainda teve o mérito de dar oportunidade para que tanto veteranos quanto estreantes brilhassem em igual proporção.
Como não se apaixonar pelos velhinhos da Casa de Repouso ou pelos adolescentes do Colégio São Jorge? Que presente ver Suely Franco e Pedro Paulo Rangel, Berta Loran e Luiz Gustavo e os demais em ação! (isto sem contar a presença de outros veteranos que andavam fazendo falta nas telas, como Tony Tornado e Ilva Niño, Norma Blum, etc). Que presente conhecer Raquel Fuína, Heslander Vieira, Ronny Kriwat, Guta Gonçalves, Bianca Salgueiro, Marcela Ricca e outros jovens atores que defenderam com garra seus papéis e que espero ainda ver brilhar em trabalhos futuros.
Enfim, Cama de Gato já entrou para minha galeria de novelas inesquecíveis. Vai deixar saudade.
Ps: Marcos Palmeira que me perdoe, mas, pelo menos a mim, mesmo sendo um personagem aparentemente mais complexo, Gustavo Brandão não conseguiu tocar tanto quanto Rose, Alcino e Verônica. Até torci para que Gustavo e Rose terminassem juntos, mas, muito mais por Rose e pela coerência da história do que propriamente por causa dele.
Naquela época havia o famigerado “Recomendado para maiores de... " e minha mãe seguia direitinho esta recomendação. Desta forma, eu acabava vendo apenas os programas considerados apropriados para minha faixa etária(sei que hoje ainda existe classificação indicativa, mas conto nos dedos os pais que a levam a sério).
Para muita gente isto pode parecer apologia a censura, mas não penso assim. Acredito que cada época da vida tem sua beleza e tudo tem o seu tempo. Sou grata a minha mãe, pois vivi minha infância e adolescência em sua plenitude, sem pular etapas. Minhas novas emoções e descobertas aconteceram no devido tempo, quando corpo, mente e coração já podiam compreender – ou pelo menos apreender – o mundo que me rodeava, fosse o mundo real, fosse o da ficção. Além disso, tenho doces lembranças daquele tempo, quando movida pela curiosidade, tentava espionar atrás da porta quem era a tal da Dona Beija e porque ela era proibida para mim.
Portanto, ao contrário do que acontece com as crianças de hoje, os programas que marcaram a minha infância e o inicio da adolescência foram aqueles considerados “censura livre”. Quando se fala em novelas, isto significa dizer que foram os folhetins das dezoito horas (e também o das dezenove, vá lá) que me fizeram descobrir desde cedo que eu adorava uma boa história, contada em capítulos: Livre para voar, Sinhá Moça, O sexo dos anjos, A Gata Comeu, Vereda Tropical, Cambalacho, todas inesquecíveis para mim.
O tempo passou, cresci, estudei, me formei e aí veio a vida adulta: trabalhar, ganhar dinheiro, dirigir, enfrentar o trânsito do Rio de Janeiro, casar, cuidar do lar, fazer o jantar... afazeres normais, de gente grande. Continuei adorando novelas, mas, já não havia tempo para elas com tanta coisa mais importante para se fazer. No mundo real onde o tempo urge como perder preciosos minutos sentada na frente de uma TV para mergulhar em um mundo de fantasia?
Uma novela tem que prender a nossa atenção por capítulos e mais capítulos, temos que ter interesse pelo seu desenrolar, pelo que vai acontecer a seguir, pois só assim vale a pena parar para assisti-la. Por pura falta de tempo, passei a acompanhar apenas alguns capítulos da novela das 20 horas, quando podia, mas, somente com Caminho das Índias voltei a acompanhar fielmente uma novela e torcer de verdade pelo destino de seus personagens. Vez ou outra dava uma espiada na novela das dezenove horas, mas a das dezoito era impossível. Até que resolvi dar uma espiada em Cama de Gato um dia e algo chamou minha atenção, resolvi ver outro dia e outro e pronto... Quando vi estava fisgada, completamente apaixonada pela novela de Duca Rachid e Thelma Guedes!
Cama de Gato me encantou do começo a fim. É claro que, como em toda novela, alguns finais pareceram forçados (Alcino só descobriu que amava Mary no último capítulo? E o amor dele por Rose? Desapareceu?). Ainda assim, no âmbito geral, foi um belo final, coerente com o desenrolar de uma trama que teve ação, suspense, romance e personagens apaixonantes, todos os ingredientes necessários para prender a atenção do telespectador.
Quando destacamos o trabalho de alguém dentro de uma equipe – como é o caso de uma novela – sempre corremos o risco de sermos injustos, mas ainda assim quero dar meus parabéns a algumas pessoas em especial. Primeiramente às autoras e aos colaboradores, pois sei que não é fácil segurar a onda de prender a atenção do público por meses e meses, ainda mais num horário tão ingrato.
Dito isto, passemos ao elenco. Li em algum lugar de que nada adianta o autor escrever o melhor texto do mundo, se o ator não souber falá-lo e concordo plenamente. Cama de Gato tinha personagens que poderiam cair no maniqueísmo e ser uma armadilha para qualquer ator, mas graças ao talento dos seus interpretes escaparam deste destino.
Paola Oliveira defendeu com garra uma vilã que não faria feio em nenhuma novela das 21 horas. Verônica foi a grande responsável pela maioria das “camas de gato” que deram título a história e conseguiu a proeza de dar veracidade ao arrependimento de sua personagem no último capítulo, mesmo que esta tenha se comportado como uma psicopata durante toda a trama.
Porém, acredito que no século XXI ainda mais difícil do que interpretar o vilão é interpretar o mocinho, pois muitas vezes o bonzinho é confundido com o chato. Mas Rosenilde, a protagonista de Cama de Gato passou longe deste estigma. Pelo contrário, era muito fácil se identificar com ela, uma mulher do povo, alegre e guerreira. Rose não contou uma única mentira a novela inteira e manteve o seu perfil de mulher integra e honesta até o fim. Camila Pitanga abraçou com louvor a tarefa de dar vida a esta mulher e conseguiu passar a verdade da personagem também para os telespectadores. Camila – linda e carismática, como sempre - nos fez acreditar e torcer pela valente Rose, que em nada lembrava a também inesquecível Bebel, de Paraíso Tropical ( e ainda nos convenceu de que era mesmo mãe de quatro filhos, dois deles bem crescidos).
Para completar, merece destaque o trabalho de Carmo Dalla Vecchia. Se não é fácil segurar uma mocinha, que dirá um mocinho como Alcino, condenado desde o primeiro capítulo a morte por conta de uma doença terminal? Qualquer descuido e ele poderia se tornar chato e piegas. Mas Carmo conseguiu criar um personagem adorável e foi responsável por alguns dos momentos mais emocionantes da trama. Está de parabéns.
Com um texto bem escrito – daqueles que primam pela emoção, sem cair no dramalhão – Cama de Gato ainda teve o mérito de dar oportunidade para que tanto veteranos quanto estreantes brilhassem em igual proporção.
Como não se apaixonar pelos velhinhos da Casa de Repouso ou pelos adolescentes do Colégio São Jorge? Que presente ver Suely Franco e Pedro Paulo Rangel, Berta Loran e Luiz Gustavo e os demais em ação! (isto sem contar a presença de outros veteranos que andavam fazendo falta nas telas, como Tony Tornado e Ilva Niño, Norma Blum, etc). Que presente conhecer Raquel Fuína, Heslander Vieira, Ronny Kriwat, Guta Gonçalves, Bianca Salgueiro, Marcela Ricca e outros jovens atores que defenderam com garra seus papéis e que espero ainda ver brilhar em trabalhos futuros.
Enfim, Cama de Gato já entrou para minha galeria de novelas inesquecíveis. Vai deixar saudade.
Ps: Marcos Palmeira que me perdoe, mas, pelo menos a mim, mesmo sendo um personagem aparentemente mais complexo, Gustavo Brandão não conseguiu tocar tanto quanto Rose, Alcino e Verônica. Até torci para que Gustavo e Rose terminassem juntos, mas, muito mais por Rose e pela coerência da história do que propriamente por causa dele.
domingo, 4 de abril de 2010
Tempo de Renovação
Hoje é Domingo de Páscoa e resolvi ir à Igreja. Não vou sempre, mas, gosto de sentir a energia das pessoas unidas no mesmo objetivo: louvarem à Deus e sentirem-se um pouco mais próximas do Céu,de Jesus Cristo, de Nossa Senhora.
Independentemente de religião, acredito que ter uma fé completa o ser humano, nos torna mais fortes e mais felizes.
Sei que tem gente que não tem paciência com o que chama de "sermão", mas, quanto à mim, o momento que mais gosto nestas celebrações é aquele que o padre, pastor, rabino, enfim, o celebrante, desprende-se do que está escrito no papel e nos brinda com suas próprias palavras. E hoje, o Padre disse uma coisa maravilhosa: Que a Ressureição de Jesus serve como exemplo de Renovação para todos nós.
Fiquei pensando nestas palavras. Às vezes nos preendemos tanto a tudo que é preestabelecido, que falta coragem para renovar nossos estoques: de amor, de conquistas, de oportunidades. Não falo em ser volúvel, não é isto. Falo da Renovação diária do amor, da fé, da própria coragem, dos sentimentos que nos movem neste mundo.
É por isto que quero desejar à todos uma Ótima Páscoa, com votos que estes momentos de Renovação perdurem por toda vida, afinal, esta é a graça de viver.
Independentemente de religião, acredito que ter uma fé completa o ser humano, nos torna mais fortes e mais felizes.
Sei que tem gente que não tem paciência com o que chama de "sermão", mas, quanto à mim, o momento que mais gosto nestas celebrações é aquele que o padre, pastor, rabino, enfim, o celebrante, desprende-se do que está escrito no papel e nos brinda com suas próprias palavras. E hoje, o Padre disse uma coisa maravilhosa: Que a Ressureição de Jesus serve como exemplo de Renovação para todos nós.
Fiquei pensando nestas palavras. Às vezes nos preendemos tanto a tudo que é preestabelecido, que falta coragem para renovar nossos estoques: de amor, de conquistas, de oportunidades. Não falo em ser volúvel, não é isto. Falo da Renovação diária do amor, da fé, da própria coragem, dos sentimentos que nos movem neste mundo.
É por isto que quero desejar à todos uma Ótima Páscoa, com votos que estes momentos de Renovação perdurem por toda vida, afinal, esta é a graça de viver.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Uma pequena homenagem do Folhetimblog a todas as mulheres: As da ficção e as da vida real
Para comemorar o Dia Internacional da Mulher à maneira do Folhetimblog, resolvi lembrar de algumas heroínas da ficção, mulheres que embora não sejam de carne e osso nos fizeram torcer por elas em diferentes épocas. Como se tornou praxe elogiar as vilãs, preferi eleger as mocinhas, aquelas de quem eu gostaria de ser amiga se existissem de verdade. Está certo que algumas não são tão certinhas, mas poderiam perfeitamente ser aquela vizinha ou colega de trabalho que nos diverte com suas peripécias.
Aviso: Não há nenhum critério nesta seleção, a não ser o de terem marcado minha vida de alguma maneira. Lá vai:
Jô Penteado (A Gata Comeu) – Sonâmbula, encrenqueira, metida e muito divertida. Foi uma das primeiras mulheres da ficção que me manteve grudada na frente da TV. Eu era pequenininha, mas adorava acompanhar as aventuras de Jô. Entre outras cenas, foi inesquecível a sequência em que prega uma peça no professor – simultaneamente seu amor e desafeto – convidando-o para uma festa Black Tie como se fosse uma festa na ilha e faz ele e a noiva pagarem um tremendo mico.
Catarina (O Cravo e a Rosa) – Uma feminista tinhosa em plena década de 20, colocava todos os pretendentes para correr graças ao seu gênio terrível. Mas o público não tinha a menor vontade de correr dela, assim como o teimoso fazendeiro Petruchio – que no ínicio só quer o dote da moça para salvar sua fazenda, mas depois acaba se apaixonando por seu “favo de mel”.
Tieta do Agreste – Eta mulher porreta! Tieta voltou a sua terra natal Santana do Agreste para se vingar dos que a humilharam no passado e nos fez torcer por ela, mesmo não sendo nenhum modelo de virtude. Sem contar, que dava título a uma novela cheia de personagens femininas inesquecíveis: Leonora, Cinira e Amorzinho, Carmosina, Dona Milu, Perpétua, Carol... um time de primeira!
Imaculada (Tieta do Agreste) – Merece destaque porque é uma de minhas personagens preferidas da ficção. Apaixonada pelo seminarista Ricardo, Imaculada passou boa parte da novela driblando as investidas do Coronel Artur da Tapitanga – de quem era uma das “rolinhas” – para ao final se entregar imaculada ao seu príncipe.
Maria do Carmo – A senhora do Destino era outra nordestina arretada, que fez muito sucesso com seu jeito firme e decidido, lutava pelos seus objetivos sem perder o caráter, mas sem jamais levar desaforo para casa.
Juma Marruá - A mulher que virava onça em "Pantanal" conquistou o filho do coronel José Leôncio e milhares de pessoas no país inteiro e chegou a ameçar os indices de audiência da Rede Globo
Maya (Caminho das Índias) Esta é bem recente, mas, já entrou na galeria de mulheres inesquecíveis da ficção. Linda e atordoada por um segredo, despertou polêmicas. Uns a achavam mentirosa, outros compreendiam as razões da indiana para esconder a verdadeira identidade do pai de seu filho. Mas é inegável a química de Maya com o marido Raj e o carisma da atriz que lhe deu vida, Juliana Paes
Rosenilde (Cama de Gato) –Além de linda, é integra leal aos amigos e aos seus sentimentos, mãe dedicada, amante fiel e completamente sincera. Rose é quase uma mocinha de novela de antigamente, daquelas que podem se tornar maniqueístas e virarem “chatas de galocha”. Só que ela passa muito longe deste clichê... É forte, decidida, batalhadora e nunca perde muito tempo chorando pelo leite derramado. Uma heroína adorável, daquelas que a gente adoraria que existisse de verdade.
Mercedes (Filme Divã) – Esta não conheci numa novela, mas num filme. Mercedes é uma mulher absolutamente comum e por isto mesmo é absolutamente impossível não se identificar com ela em sua luta para conquistar seus sonhos e ser feliz.
Esta é apenas uma pequena amostra com algumas de minhas personagens preferidas, é claro que existem muitas outras mulheres interessantes na ficção, mas o mais importante é dizer o seguinte:
PARABÉNS AS MULHERES DE CARNE E OSSO, AS HEROÍNAS DA VIDA REAL, AQUELAS QUE SE INSPIRAM E SE COMOVEM COM A FICÇÃO, MAS QUE COM SUAs LUTAS E CONQUISTAS TAMBÉM A INSPIRAM E A SUPERAM.
PARABÉNS A TODAS NÓS!
Aviso: Não há nenhum critério nesta seleção, a não ser o de terem marcado minha vida de alguma maneira. Lá vai:
Jô Penteado (A Gata Comeu) – Sonâmbula, encrenqueira, metida e muito divertida. Foi uma das primeiras mulheres da ficção que me manteve grudada na frente da TV. Eu era pequenininha, mas adorava acompanhar as aventuras de Jô. Entre outras cenas, foi inesquecível a sequência em que prega uma peça no professor – simultaneamente seu amor e desafeto – convidando-o para uma festa Black Tie como se fosse uma festa na ilha e faz ele e a noiva pagarem um tremendo mico.
Catarina (O Cravo e a Rosa) – Uma feminista tinhosa em plena década de 20, colocava todos os pretendentes para correr graças ao seu gênio terrível. Mas o público não tinha a menor vontade de correr dela, assim como o teimoso fazendeiro Petruchio – que no ínicio só quer o dote da moça para salvar sua fazenda, mas depois acaba se apaixonando por seu “favo de mel”.
Tieta do Agreste – Eta mulher porreta! Tieta voltou a sua terra natal Santana do Agreste para se vingar dos que a humilharam no passado e nos fez torcer por ela, mesmo não sendo nenhum modelo de virtude. Sem contar, que dava título a uma novela cheia de personagens femininas inesquecíveis: Leonora, Cinira e Amorzinho, Carmosina, Dona Milu, Perpétua, Carol... um time de primeira!
Imaculada (Tieta do Agreste) – Merece destaque porque é uma de minhas personagens preferidas da ficção. Apaixonada pelo seminarista Ricardo, Imaculada passou boa parte da novela driblando as investidas do Coronel Artur da Tapitanga – de quem era uma das “rolinhas” – para ao final se entregar imaculada ao seu príncipe.
Maria do Carmo – A senhora do Destino era outra nordestina arretada, que fez muito sucesso com seu jeito firme e decidido, lutava pelos seus objetivos sem perder o caráter, mas sem jamais levar desaforo para casa.
Juma Marruá - A mulher que virava onça em "Pantanal" conquistou o filho do coronel José Leôncio e milhares de pessoas no país inteiro e chegou a ameçar os indices de audiência da Rede Globo
Maya (Caminho das Índias) Esta é bem recente, mas, já entrou na galeria de mulheres inesquecíveis da ficção. Linda e atordoada por um segredo, despertou polêmicas. Uns a achavam mentirosa, outros compreendiam as razões da indiana para esconder a verdadeira identidade do pai de seu filho. Mas é inegável a química de Maya com o marido Raj e o carisma da atriz que lhe deu vida, Juliana Paes
Rosenilde (Cama de Gato) –Além de linda, é integra leal aos amigos e aos seus sentimentos, mãe dedicada, amante fiel e completamente sincera. Rose é quase uma mocinha de novela de antigamente, daquelas que podem se tornar maniqueístas e virarem “chatas de galocha”. Só que ela passa muito longe deste clichê... É forte, decidida, batalhadora e nunca perde muito tempo chorando pelo leite derramado. Uma heroína adorável, daquelas que a gente adoraria que existisse de verdade.
Mercedes (Filme Divã) – Esta não conheci numa novela, mas num filme. Mercedes é uma mulher absolutamente comum e por isto mesmo é absolutamente impossível não se identificar com ela em sua luta para conquistar seus sonhos e ser feliz.
Esta é apenas uma pequena amostra com algumas de minhas personagens preferidas, é claro que existem muitas outras mulheres interessantes na ficção, mas o mais importante é dizer o seguinte:
PARABÉNS AS MULHERES DE CARNE E OSSO, AS HEROÍNAS DA VIDA REAL, AQUELAS QUE SE INSPIRAM E SE COMOVEM COM A FICÇÃO, MAS QUE COM SUAs LUTAS E CONQUISTAS TAMBÉM A INSPIRAM E A SUPERAM.
PARABÉNS A TODAS NÓS!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Os mais sem-noção da ficção
Inspirada nas listas que circulam na Internet e nas coisas inacreditáveis que se vê e ouve por aí resolvi listar os dez personagens mais “sem noção” da ficção, divididos nas categorias “Da hora”, “Recentes” e “Das antigas”. Confesso que algumas dessas malas, apesar de sem noção são até adoráveis, mas há também aquelas que ninguém merece. Escolham a sua preferida e embarquem nesta viagem pelo mundo das novelas.Ah, e se quiserem acrescentar alguma mala esquecida, fiquem à vontade.
DA HORA
Gustavo Brandão (Cama de Gato) – O cara só agora descobriu as armações da ex-mulher, apesar de ter sido avisado por praticamente todos os personagens que a ex era uma “víbora”.Preferiu brigar com o irmão, o melhor amigo, os pais, a namorada e mais meio mundo. O pior é achar que Alcino – que está morrendo - tentou matá-lo porque tinha inveja e ia ficar com tudo que era dele.
Izabel (Viver a vida) – Sua falta de noção está no fato de falar o que quer, sem o menor pudor, mesmo que os outros não estejam nem um pouco dispostos a ouvir. Mas, sejamos francos: Izabel costuma dizer a verdade e nós bem que nos divertimos com o seu jeitão.
Dora (Viver a Vida) – O oposto de Izabel, não é nada sincera. Mesmo tendo descoberto que o amante de Búzios é marido de sua patroa,não abre mão do emprego de secretária e de permancer na casa dela. E ainda trai Helena bem debaixo do nariz dela.
RECENTES
César e Ilana (Caminho das Índias) – estes pelo menos eram sem-noção divertidos. Almas gêmeas, César e Ilana batiam palma para todas as atrocidades cometidas pelo filho pitboy e diziam as maiores barbaridades com toda naturalidade do mundo.
Raul Cadore (Caminho das Índias) – Merece medalha de ouro na categoria sem noção. O cara roubou o irmão, abandonou mulher e filha, se fingiu de morto e foi para Dubai, ficar tomando drinks na piscina com a amante. Ah, e deu a chave do cofre de sua casa para ela, que claro, muito merecidamente roubou tudo que ele tinha. Acabou algemado pela própria numa cama de hotel numa das maiores pagações de mico da história televisiva
Irene (A Favorita) – Esta é do time do Gustavo. Brandão. Mais um exemplo de personagem que não consegue ver nada além do que tem diante dos olhos, fazendo jus ao apelido de “Anta”, tão gentilmente dado por sua querida psicopata Flora.
DAS ANTIGAS
Carmosina (Tieta) – A fofoqueira solteirona se aproveitava da sua condição de funcionária do correio e no bico da chaleira violava tudo que era carta que lhe chegasse as mãos.Mais sem noção impossível
Heloísa (Mulheres Apaixonadas) – A irmã de Helena sufocava o marido bonitão com seu ciúme excessivo e cometeu os mais variados desatinos para que ele não fosse de mais ninguém.
Sandrinha (Torre de Babel) – Explodiu um shopping!!!
Manon (Roque Santeiro) – essa se apaixonou por um lobisomem. Precisa dizer mais?
DA HORA
Gustavo Brandão (Cama de Gato) – O cara só agora descobriu as armações da ex-mulher, apesar de ter sido avisado por praticamente todos os personagens que a ex era uma “víbora”.Preferiu brigar com o irmão, o melhor amigo, os pais, a namorada e mais meio mundo. O pior é achar que Alcino – que está morrendo - tentou matá-lo porque tinha inveja e ia ficar com tudo que era dele.
Izabel (Viver a vida) – Sua falta de noção está no fato de falar o que quer, sem o menor pudor, mesmo que os outros não estejam nem um pouco dispostos a ouvir. Mas, sejamos francos: Izabel costuma dizer a verdade e nós bem que nos divertimos com o seu jeitão.
Dora (Viver a Vida) – O oposto de Izabel, não é nada sincera. Mesmo tendo descoberto que o amante de Búzios é marido de sua patroa,não abre mão do emprego de secretária e de permancer na casa dela. E ainda trai Helena bem debaixo do nariz dela.
RECENTES
César e Ilana (Caminho das Índias) – estes pelo menos eram sem-noção divertidos. Almas gêmeas, César e Ilana batiam palma para todas as atrocidades cometidas pelo filho pitboy e diziam as maiores barbaridades com toda naturalidade do mundo.
Raul Cadore (Caminho das Índias) – Merece medalha de ouro na categoria sem noção. O cara roubou o irmão, abandonou mulher e filha, se fingiu de morto e foi para Dubai, ficar tomando drinks na piscina com a amante. Ah, e deu a chave do cofre de sua casa para ela, que claro, muito merecidamente roubou tudo que ele tinha. Acabou algemado pela própria numa cama de hotel numa das maiores pagações de mico da história televisiva
Irene (A Favorita) – Esta é do time do Gustavo. Brandão. Mais um exemplo de personagem que não consegue ver nada além do que tem diante dos olhos, fazendo jus ao apelido de “Anta”, tão gentilmente dado por sua querida psicopata Flora.
DAS ANTIGAS
Carmosina (Tieta) – A fofoqueira solteirona se aproveitava da sua condição de funcionária do correio e no bico da chaleira violava tudo que era carta que lhe chegasse as mãos.Mais sem noção impossível
Heloísa (Mulheres Apaixonadas) – A irmã de Helena sufocava o marido bonitão com seu ciúme excessivo e cometeu os mais variados desatinos para que ele não fosse de mais ninguém.
Sandrinha (Torre de Babel) – Explodiu um shopping!!!
Manon (Roque Santeiro) – essa se apaixonou por um lobisomem. Precisa dizer mais?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
UM CASAMENTO, UM FUNERAL E UMA GALINHA
Acreditem se quiser, mas, a história abaixo é baseada em fatos reais. Divido-a agora com vocês.
Sábado, seis horas da manhã: acordo assustada antes mesmo do galo cantar (ou pelo menos assim seria, se um galo houvesse no meu apartamento). Preciso fazer tudo às pressas: escovar os dentes, pentear o cabelo, fazer a mala.
A parte da família que mora na cidade grande alugou uma Van e dentro de alguns minutos estaremos todos partindo para o interior a fim de prestigiar o matrimônio de um primo querido.
A van chega e desço ainda penteando os cabelos. Sou a última a entrar e cumprimento os que já estão alojados. Mas é preciso arrumar lugar para minhas roupas, inclusive para o vestido de festa. Para não fugir à regra feminina, levo uma mala, uma valise, um cabide com a roupa da festa e já arrependida pergunto a mim mesma o que será que eu faria se fosse ficar uma semana ao invés de um dia. Empurra daqui, ajeita dali, ajuda de cá e com algum custo a família consegue acomodar minhas bugigangas (embora certamente estivessem com vontade de jogá-las pela janela, juntamente com a dona).
Todos devidamente alocados seguimos viagem. Alguns dormem, outros aproveitam para colocar o papo em dia, até que no meio da estrada o telefone de alguém toca e chega a fatídica noticia: Zé Conchinha morreu!!
Tremendo rebuliço. O falecido morava na roça há muitos anos e era tremendamente querido na região, um dessas figuras folclóricas que fazem a graça das cidades do interior. Imediatamente me passam pela cabeça dois pensamentos. Primeiro: O morto não é da família dos noivos, não vai atrapalhar o casamento. Segundo: A vantagem dele ter morrido hoje é que vai dar pra economizar tempo e transporte.
E assim, o que era uma viagem para prestigiar um enlace matrimonial s desdobra também em uma viagem para acompanhar um enterro. Quando vejo, estamos discutindo com que roupa iremos ao enterro, afinal havíamos nos preparado para um casamento. Certamente não pegaria bem aparecermos no cemitério com nossos longos e smokings. Fui salva por uma tia que, havia levado umas roupas extras e se prontificou a me emprestar uma. Prevenida, ela já havia contado com a possibilidade de Zé passar desta para melhor na ocasião de nossa visita, posto que ele se encontrava naquele estado de “morre- não –morre”.
Após horas de viagens, alguém se deu conta de que era chegada a hora de nos arrumarmos para a festa. Havia só um probleminha: Onde?
A família dos noivos já havia ido para igreja e nos outros locais não havia espaço adequado. Por falta de opção e correr do relógio, sobrou a casa da família do falecido.
Mesmo arrasado, o irmão do finado nos recebeu muito bem, como é costume das pessoas simples da roça. Só que não deu nem tempo dele agradecer os pêsames e já estávamos pedindo se podíamos nos arrumar ali mesmo para festa. O coitado do homem não teve muito que fazer, quando viu já estávamos agilizando o nosso lado. Mas ele ainda conseguiu dizer que além do banheiro social, também havia um em seu quarto que poderíamos usar.
Foi um pouco constrangedor ir tirando o vestido e a maquiagem e toda a parafernália da mala, ao mesmo tempo em que manifestava os meus sentimentos pela perda, mas o que se há de fazer... são as contingências da vida (ou da morte, sei lá). Porém o mais insólito ainda estava por vir... Ia eu entrando no banheiro, quando da soleira avisto uma galinha!! A mesma estava a alguns passos de distância, mas o suficiente para que eu levasse um susto. E diante do meu grito, ainda tive que ouvir de alguém : “Antes de entrar no banho dá uma olhada se não tem galinha no boxe”. Por um momento, achei que estavam brincando e contive o riso apenas em solidariedade ao luto dos donos da casa. Mas logo percebi que ninguém ali estava pra brincadeira. Acho que na roça o direito constitucional de ir e vir é assegurado também as galinhas. Tal como acontece com cachorrinhos de madame nas cidades, as galináceas recebem tratamento vip. Nada de restringi-las somente ao galinheiro. Sendo assim, podemos perfeitamente encontrar uma galinha placidamente ciscando aos pés do sofá, beliscando algo na cozinha ou alojada em cima de uma cama, sem que ninguém a incomode.
Mas, infelizmente como “cria da cidade grande” que sou não estou acostumada com tanto natureza. E, assim, quando dei por mim estava quase paranóica, vasculhando cada canto do banheiro a fim de garantir que meu banho não seria interrompido por nenhuma penosa inconveniente.
Findo o banho, foi preciso verificar se não havia nenhuma pena no vestido e seguir com os preparativos. Mais alguns minutos, e todos estavam prontos. E assim elegantes e, graças a Deus, livres de pena seguimos para a festa que nos aguardava. Antes que pensem que eu e minha família somos insensíveis cabe esclarecer uma questão. Quando digo sem pena, é no sentido literal, pois é claro, sentíamos compaixão pela família que nos acolheu mesmo numa hora tão difícil (e emprestou banheiro, espelho e tudo mais). Embarcarmos de volta na van, e ouvimos os votos de boa festa enquanto prometíamos que iríamos ao enterro no dia seguinte.
Ocorre que o casamento demorou mais do que o previsto. A noiva, para não fugir a tradição, atrasou. E na festa, era preciso colocar o papo em dia com aquela parte da família que só se vê nas férias, em casamento e em velórios. Sendo assim, quando vimos a hora já estava avançada e ainda era preciso resolver um pequeno problema: o local para dormir. Cogitou-se dormir na van, até que um tio bondoso ofereceu sua casa próxima ao local das núpcias e, exaustos, aceitamos de bom grado.
No fim das contas deu tudo certo, exceto pelo fato que eu estava tão cansada que só deu tempo de colocar a roupa de dormir e desmaiar em cima da cama de alguém, desalojando o infeliz dono do quarto. Mas isto só percebi ao acordar no dia seguinte com um zum-zum-zum. Pensei que o barulho era porque estavam todos se arrumando para o enterro, mas me equivoquei. Estavam voltando!!! Dormi tanto que perdi a hora da despedida final! Mas, pelo menos, fui posta a par dos acontecimentos por aqueles que lá compareceram: Zé Conchinha foi enterrado muito dignamente, da maneira que sempre sonhou. Em uma das mãos, o pandeiro, velho companheiro das rodas de seresta que tanto gostava. E no caixão, ao invés de manto ou bandeira, repousava singela apenas uma pena. Era a última homenagem de Anastácia, sua galinha de estimação.
Sábado, seis horas da manhã: acordo assustada antes mesmo do galo cantar (ou pelo menos assim seria, se um galo houvesse no meu apartamento). Preciso fazer tudo às pressas: escovar os dentes, pentear o cabelo, fazer a mala.
A parte da família que mora na cidade grande alugou uma Van e dentro de alguns minutos estaremos todos partindo para o interior a fim de prestigiar o matrimônio de um primo querido.
A van chega e desço ainda penteando os cabelos. Sou a última a entrar e cumprimento os que já estão alojados. Mas é preciso arrumar lugar para minhas roupas, inclusive para o vestido de festa. Para não fugir à regra feminina, levo uma mala, uma valise, um cabide com a roupa da festa e já arrependida pergunto a mim mesma o que será que eu faria se fosse ficar uma semana ao invés de um dia. Empurra daqui, ajeita dali, ajuda de cá e com algum custo a família consegue acomodar minhas bugigangas (embora certamente estivessem com vontade de jogá-las pela janela, juntamente com a dona).
Todos devidamente alocados seguimos viagem. Alguns dormem, outros aproveitam para colocar o papo em dia, até que no meio da estrada o telefone de alguém toca e chega a fatídica noticia: Zé Conchinha morreu!!
Tremendo rebuliço. O falecido morava na roça há muitos anos e era tremendamente querido na região, um dessas figuras folclóricas que fazem a graça das cidades do interior. Imediatamente me passam pela cabeça dois pensamentos. Primeiro: O morto não é da família dos noivos, não vai atrapalhar o casamento. Segundo: A vantagem dele ter morrido hoje é que vai dar pra economizar tempo e transporte.
E assim, o que era uma viagem para prestigiar um enlace matrimonial s desdobra também em uma viagem para acompanhar um enterro. Quando vejo, estamos discutindo com que roupa iremos ao enterro, afinal havíamos nos preparado para um casamento. Certamente não pegaria bem aparecermos no cemitério com nossos longos e smokings. Fui salva por uma tia que, havia levado umas roupas extras e se prontificou a me emprestar uma. Prevenida, ela já havia contado com a possibilidade de Zé passar desta para melhor na ocasião de nossa visita, posto que ele se encontrava naquele estado de “morre- não –morre”.
Após horas de viagens, alguém se deu conta de que era chegada a hora de nos arrumarmos para a festa. Havia só um probleminha: Onde?
A família dos noivos já havia ido para igreja e nos outros locais não havia espaço adequado. Por falta de opção e correr do relógio, sobrou a casa da família do falecido.
Mesmo arrasado, o irmão do finado nos recebeu muito bem, como é costume das pessoas simples da roça. Só que não deu nem tempo dele agradecer os pêsames e já estávamos pedindo se podíamos nos arrumar ali mesmo para festa. O coitado do homem não teve muito que fazer, quando viu já estávamos agilizando o nosso lado. Mas ele ainda conseguiu dizer que além do banheiro social, também havia um em seu quarto que poderíamos usar.
Foi um pouco constrangedor ir tirando o vestido e a maquiagem e toda a parafernália da mala, ao mesmo tempo em que manifestava os meus sentimentos pela perda, mas o que se há de fazer... são as contingências da vida (ou da morte, sei lá). Porém o mais insólito ainda estava por vir... Ia eu entrando no banheiro, quando da soleira avisto uma galinha!! A mesma estava a alguns passos de distância, mas o suficiente para que eu levasse um susto. E diante do meu grito, ainda tive que ouvir de alguém : “Antes de entrar no banho dá uma olhada se não tem galinha no boxe”. Por um momento, achei que estavam brincando e contive o riso apenas em solidariedade ao luto dos donos da casa. Mas logo percebi que ninguém ali estava pra brincadeira. Acho que na roça o direito constitucional de ir e vir é assegurado também as galinhas. Tal como acontece com cachorrinhos de madame nas cidades, as galináceas recebem tratamento vip. Nada de restringi-las somente ao galinheiro. Sendo assim, podemos perfeitamente encontrar uma galinha placidamente ciscando aos pés do sofá, beliscando algo na cozinha ou alojada em cima de uma cama, sem que ninguém a incomode.
Mas, infelizmente como “cria da cidade grande” que sou não estou acostumada com tanto natureza. E, assim, quando dei por mim estava quase paranóica, vasculhando cada canto do banheiro a fim de garantir que meu banho não seria interrompido por nenhuma penosa inconveniente.
Findo o banho, foi preciso verificar se não havia nenhuma pena no vestido e seguir com os preparativos. Mais alguns minutos, e todos estavam prontos. E assim elegantes e, graças a Deus, livres de pena seguimos para a festa que nos aguardava. Antes que pensem que eu e minha família somos insensíveis cabe esclarecer uma questão. Quando digo sem pena, é no sentido literal, pois é claro, sentíamos compaixão pela família que nos acolheu mesmo numa hora tão difícil (e emprestou banheiro, espelho e tudo mais). Embarcarmos de volta na van, e ouvimos os votos de boa festa enquanto prometíamos que iríamos ao enterro no dia seguinte.
Ocorre que o casamento demorou mais do que o previsto. A noiva, para não fugir a tradição, atrasou. E na festa, era preciso colocar o papo em dia com aquela parte da família que só se vê nas férias, em casamento e em velórios. Sendo assim, quando vimos a hora já estava avançada e ainda era preciso resolver um pequeno problema: o local para dormir. Cogitou-se dormir na van, até que um tio bondoso ofereceu sua casa próxima ao local das núpcias e, exaustos, aceitamos de bom grado.
No fim das contas deu tudo certo, exceto pelo fato que eu estava tão cansada que só deu tempo de colocar a roupa de dormir e desmaiar em cima da cama de alguém, desalojando o infeliz dono do quarto. Mas isto só percebi ao acordar no dia seguinte com um zum-zum-zum. Pensei que o barulho era porque estavam todos se arrumando para o enterro, mas me equivoquei. Estavam voltando!!! Dormi tanto que perdi a hora da despedida final! Mas, pelo menos, fui posta a par dos acontecimentos por aqueles que lá compareceram: Zé Conchinha foi enterrado muito dignamente, da maneira que sempre sonhou. Em uma das mãos, o pandeiro, velho companheiro das rodas de seresta que tanto gostava. E no caixão, ao invés de manto ou bandeira, repousava singela apenas uma pena. Era a última homenagem de Anastácia, sua galinha de estimação.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Mais estranho que a ficção
Assisti em dezembro passado a uma palestra do novelista Manoel Carlos e no meio da sua explanação ele citou uma frase da qual gosta muito e da qual não recorda o autor, algo mais ou menos assim "O problema da ficção é que ela tem que fazer sentido, a realidade não".
Na mesma hora me lembrei dos noticiários da TV e de muitas coisas que não fazem sentido:
uma criança que resiste e vive apesar das agulhas enfiadas no corpo por um padrasto cruel;
uma criança que cai na linha de uma estação de metrô, é atropelada pelo trem e sofre apenas escoriações leves;
A queda de uma viaduto numa avenida movimentada de São Paulo, sem vítimas fatais.
A demora de mais de uma semana para enterrar o corpo de um astro pop mundialmente famoso e a transformação de seu funeral em um grande evento;
E para recuar um pouco mais no tempo, o inacreditável esqueleto do que deveria ser a cidade da música, fincado bem no meio da Barra da Tijuca. Toda vez que passo pela finada - e gigantesca - obra, penso nos milhões mal aproveitados que foram empregados ali e fico imaginando seu futuro. Será que um dia será concluída? Ou será que daqui há 1.000 anos guias a apresentarão aos turistas da seguinte maneira:
- Aqui estão as ruínas da Cidade da música, aquela que foi sem nunca ter sido.
Meu amigo, menos otimista, acha que a obra vai servir de esconderijo para criminosos e virar um antro do mal. Espero que ele esteja errado. Mas como a realidade não faz mesmo o menor sentido...
Na mesma hora me lembrei dos noticiários da TV e de muitas coisas que não fazem sentido:
uma criança que resiste e vive apesar das agulhas enfiadas no corpo por um padrasto cruel;
uma criança que cai na linha de uma estação de metrô, é atropelada pelo trem e sofre apenas escoriações leves;
A queda de uma viaduto numa avenida movimentada de São Paulo, sem vítimas fatais.
A demora de mais de uma semana para enterrar o corpo de um astro pop mundialmente famoso e a transformação de seu funeral em um grande evento;
E para recuar um pouco mais no tempo, o inacreditável esqueleto do que deveria ser a cidade da música, fincado bem no meio da Barra da Tijuca. Toda vez que passo pela finada - e gigantesca - obra, penso nos milhões mal aproveitados que foram empregados ali e fico imaginando seu futuro. Será que um dia será concluída? Ou será que daqui há 1.000 anos guias a apresentarão aos turistas da seguinte maneira:
- Aqui estão as ruínas da Cidade da música, aquela que foi sem nunca ter sido.
Meu amigo, menos otimista, acha que a obra vai servir de esconderijo para criminosos e virar um antro do mal. Espero que ele esteja errado. Mas como a realidade não faz mesmo o menor sentido...
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