Para comemorar o Dia Internacional da Mulher à maneira do Folhetimblog, resolvi lembrar de algumas heroínas da ficção, mulheres que embora não sejam de carne e osso nos fizeram torcer por elas em diferentes épocas. Como se tornou praxe elogiar as vilãs, preferi eleger as mocinhas, aquelas de quem eu gostaria de ser amiga se existissem de verdade. Está certo que algumas não são tão certinhas, mas poderiam perfeitamente ser aquela vizinha ou colega de trabalho que nos diverte com suas peripécias.
Aviso: Não há nenhum critério nesta seleção, a não ser o de terem marcado minha vida de alguma maneira. Lá vai:
Jô Penteado (A Gata Comeu) – Sonâmbula, encrenqueira, metida e muito divertida. Foi uma das primeiras mulheres da ficção que me manteve grudada na frente da TV. Eu era pequenininha, mas adorava acompanhar as aventuras de Jô. Entre outras cenas, foi inesquecível a sequência em que prega uma peça no professor – simultaneamente seu amor e desafeto – convidando-o para uma festa Black Tie como se fosse uma festa na ilha e faz ele e a noiva pagarem um tremendo mico.
Catarina (O Cravo e a Rosa) – Uma feminista tinhosa em plena década de 20, colocava todos os pretendentes para correr graças ao seu gênio terrível. Mas o público não tinha a menor vontade de correr dela, assim como o teimoso fazendeiro Petruchio – que no ínicio só quer o dote da moça para salvar sua fazenda, mas depois acaba se apaixonando por seu “favo de mel”.
Tieta do Agreste – Eta mulher porreta! Tieta voltou a sua terra natal Santana do Agreste para se vingar dos que a humilharam no passado e nos fez torcer por ela, mesmo não sendo nenhum modelo de virtude. Sem contar, que dava título a uma novela cheia de personagens femininas inesquecíveis: Leonora, Cinira e Amorzinho, Carmosina, Dona Milu, Perpétua, Carol... um time de primeira!
Imaculada (Tieta do Agreste) – Merece destaque porque é uma de minhas personagens preferidas da ficção. Apaixonada pelo seminarista Ricardo, Imaculada passou boa parte da novela driblando as investidas do Coronel Artur da Tapitanga – de quem era uma das “rolinhas” – para ao final se entregar imaculada ao seu príncipe.
Maria do Carmo – A senhora do Destino era outra nordestina arretada, que fez muito sucesso com seu jeito firme e decidido, lutava pelos seus objetivos sem perder o caráter, mas sem jamais levar desaforo para casa.
Juma Marruá - A mulher que virava onça em "Pantanal" conquistou o filho do coronel José Leôncio e milhares de pessoas no país inteiro e chegou a ameçar os indices de audiência da Rede Globo
Maya (Caminho das Índias) Esta é bem recente, mas, já entrou na galeria de mulheres inesquecíveis da ficção. Linda e atordoada por um segredo, despertou polêmicas. Uns a achavam mentirosa, outros compreendiam as razões da indiana para esconder a verdadeira identidade do pai de seu filho. Mas é inegável a química de Maya com o marido Raj e o carisma da atriz que lhe deu vida, Juliana Paes
Rosenilde (Cama de Gato) –Além de linda, é integra leal aos amigos e aos seus sentimentos, mãe dedicada, amante fiel e completamente sincera. Rose é quase uma mocinha de novela de antigamente, daquelas que podem se tornar maniqueístas e virarem “chatas de galocha”. Só que ela passa muito longe deste clichê... É forte, decidida, batalhadora e nunca perde muito tempo chorando pelo leite derramado. Uma heroína adorável, daquelas que a gente adoraria que existisse de verdade.
Mercedes (Filme Divã) – Esta não conheci numa novela, mas num filme. Mercedes é uma mulher absolutamente comum e por isto mesmo é absolutamente impossível não se identificar com ela em sua luta para conquistar seus sonhos e ser feliz.
Esta é apenas uma pequena amostra com algumas de minhas personagens preferidas, é claro que existem muitas outras mulheres interessantes na ficção, mas o mais importante é dizer o seguinte:
PARABÉNS AS MULHERES DE CARNE E OSSO, AS HEROÍNAS DA VIDA REAL, AQUELAS QUE SE INSPIRAM E SE COMOVEM COM A FICÇÃO, MAS QUE COM SUAs LUTAS E CONQUISTAS TAMBÉM A INSPIRAM E A SUPERAM.
PARABÉNS A TODAS NÓS!
segunda-feira, 8 de março de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Os mais sem-noção da ficção
Inspirada nas listas que circulam na Internet e nas coisas inacreditáveis que se vê e ouve por aí resolvi listar os dez personagens mais “sem noção” da ficção, divididos nas categorias “Da hora”, “Recentes” e “Das antigas”. Confesso que algumas dessas malas, apesar de sem noção são até adoráveis, mas há também aquelas que ninguém merece. Escolham a sua preferida e embarquem nesta viagem pelo mundo das novelas.Ah, e se quiserem acrescentar alguma mala esquecida, fiquem à vontade.
DA HORA
Gustavo Brandão (Cama de Gato) – O cara só agora descobriu as armações da ex-mulher, apesar de ter sido avisado por praticamente todos os personagens que a ex era uma “víbora”.Preferiu brigar com o irmão, o melhor amigo, os pais, a namorada e mais meio mundo. O pior é achar que Alcino – que está morrendo - tentou matá-lo porque tinha inveja e ia ficar com tudo que era dele.
Izabel (Viver a vida) – Sua falta de noção está no fato de falar o que quer, sem o menor pudor, mesmo que os outros não estejam nem um pouco dispostos a ouvir. Mas, sejamos francos: Izabel costuma dizer a verdade e nós bem que nos divertimos com o seu jeitão.
Dora (Viver a Vida) – O oposto de Izabel, não é nada sincera. Mesmo tendo descoberto que o amante de Búzios é marido de sua patroa,não abre mão do emprego de secretária e de permancer na casa dela. E ainda trai Helena bem debaixo do nariz dela.
RECENTES
César e Ilana (Caminho das Índias) – estes pelo menos eram sem-noção divertidos. Almas gêmeas, César e Ilana batiam palma para todas as atrocidades cometidas pelo filho pitboy e diziam as maiores barbaridades com toda naturalidade do mundo.
Raul Cadore (Caminho das Índias) – Merece medalha de ouro na categoria sem noção. O cara roubou o irmão, abandonou mulher e filha, se fingiu de morto e foi para Dubai, ficar tomando drinks na piscina com a amante. Ah, e deu a chave do cofre de sua casa para ela, que claro, muito merecidamente roubou tudo que ele tinha. Acabou algemado pela própria numa cama de hotel numa das maiores pagações de mico da história televisiva
Irene (A Favorita) – Esta é do time do Gustavo. Brandão. Mais um exemplo de personagem que não consegue ver nada além do que tem diante dos olhos, fazendo jus ao apelido de “Anta”, tão gentilmente dado por sua querida psicopata Flora.
DAS ANTIGAS
Carmosina (Tieta) – A fofoqueira solteirona se aproveitava da sua condição de funcionária do correio e no bico da chaleira violava tudo que era carta que lhe chegasse as mãos.Mais sem noção impossível
Heloísa (Mulheres Apaixonadas) – A irmã de Helena sufocava o marido bonitão com seu ciúme excessivo e cometeu os mais variados desatinos para que ele não fosse de mais ninguém.
Sandrinha (Torre de Babel) – Explodiu um shopping!!!
Manon (Roque Santeiro) – essa se apaixonou por um lobisomem. Precisa dizer mais?
DA HORA
Gustavo Brandão (Cama de Gato) – O cara só agora descobriu as armações da ex-mulher, apesar de ter sido avisado por praticamente todos os personagens que a ex era uma “víbora”.Preferiu brigar com o irmão, o melhor amigo, os pais, a namorada e mais meio mundo. O pior é achar que Alcino – que está morrendo - tentou matá-lo porque tinha inveja e ia ficar com tudo que era dele.
Izabel (Viver a vida) – Sua falta de noção está no fato de falar o que quer, sem o menor pudor, mesmo que os outros não estejam nem um pouco dispostos a ouvir. Mas, sejamos francos: Izabel costuma dizer a verdade e nós bem que nos divertimos com o seu jeitão.
Dora (Viver a Vida) – O oposto de Izabel, não é nada sincera. Mesmo tendo descoberto que o amante de Búzios é marido de sua patroa,não abre mão do emprego de secretária e de permancer na casa dela. E ainda trai Helena bem debaixo do nariz dela.
RECENTES
César e Ilana (Caminho das Índias) – estes pelo menos eram sem-noção divertidos. Almas gêmeas, César e Ilana batiam palma para todas as atrocidades cometidas pelo filho pitboy e diziam as maiores barbaridades com toda naturalidade do mundo.
Raul Cadore (Caminho das Índias) – Merece medalha de ouro na categoria sem noção. O cara roubou o irmão, abandonou mulher e filha, se fingiu de morto e foi para Dubai, ficar tomando drinks na piscina com a amante. Ah, e deu a chave do cofre de sua casa para ela, que claro, muito merecidamente roubou tudo que ele tinha. Acabou algemado pela própria numa cama de hotel numa das maiores pagações de mico da história televisiva
Irene (A Favorita) – Esta é do time do Gustavo. Brandão. Mais um exemplo de personagem que não consegue ver nada além do que tem diante dos olhos, fazendo jus ao apelido de “Anta”, tão gentilmente dado por sua querida psicopata Flora.
DAS ANTIGAS
Carmosina (Tieta) – A fofoqueira solteirona se aproveitava da sua condição de funcionária do correio e no bico da chaleira violava tudo que era carta que lhe chegasse as mãos.Mais sem noção impossível
Heloísa (Mulheres Apaixonadas) – A irmã de Helena sufocava o marido bonitão com seu ciúme excessivo e cometeu os mais variados desatinos para que ele não fosse de mais ninguém.
Sandrinha (Torre de Babel) – Explodiu um shopping!!!
Manon (Roque Santeiro) – essa se apaixonou por um lobisomem. Precisa dizer mais?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
UM CASAMENTO, UM FUNERAL E UMA GALINHA
Acreditem se quiser, mas, a história abaixo é baseada em fatos reais. Divido-a agora com vocês.
Sábado, seis horas da manhã: acordo assustada antes mesmo do galo cantar (ou pelo menos assim seria, se um galo houvesse no meu apartamento). Preciso fazer tudo às pressas: escovar os dentes, pentear o cabelo, fazer a mala.
A parte da família que mora na cidade grande alugou uma Van e dentro de alguns minutos estaremos todos partindo para o interior a fim de prestigiar o matrimônio de um primo querido.
A van chega e desço ainda penteando os cabelos. Sou a última a entrar e cumprimento os que já estão alojados. Mas é preciso arrumar lugar para minhas roupas, inclusive para o vestido de festa. Para não fugir à regra feminina, levo uma mala, uma valise, um cabide com a roupa da festa e já arrependida pergunto a mim mesma o que será que eu faria se fosse ficar uma semana ao invés de um dia. Empurra daqui, ajeita dali, ajuda de cá e com algum custo a família consegue acomodar minhas bugigangas (embora certamente estivessem com vontade de jogá-las pela janela, juntamente com a dona).
Todos devidamente alocados seguimos viagem. Alguns dormem, outros aproveitam para colocar o papo em dia, até que no meio da estrada o telefone de alguém toca e chega a fatídica noticia: Zé Conchinha morreu!!
Tremendo rebuliço. O falecido morava na roça há muitos anos e era tremendamente querido na região, um dessas figuras folclóricas que fazem a graça das cidades do interior. Imediatamente me passam pela cabeça dois pensamentos. Primeiro: O morto não é da família dos noivos, não vai atrapalhar o casamento. Segundo: A vantagem dele ter morrido hoje é que vai dar pra economizar tempo e transporte.
E assim, o que era uma viagem para prestigiar um enlace matrimonial s desdobra também em uma viagem para acompanhar um enterro. Quando vejo, estamos discutindo com que roupa iremos ao enterro, afinal havíamos nos preparado para um casamento. Certamente não pegaria bem aparecermos no cemitério com nossos longos e smokings. Fui salva por uma tia que, havia levado umas roupas extras e se prontificou a me emprestar uma. Prevenida, ela já havia contado com a possibilidade de Zé passar desta para melhor na ocasião de nossa visita, posto que ele se encontrava naquele estado de “morre- não –morre”.
Após horas de viagens, alguém se deu conta de que era chegada a hora de nos arrumarmos para a festa. Havia só um probleminha: Onde?
A família dos noivos já havia ido para igreja e nos outros locais não havia espaço adequado. Por falta de opção e correr do relógio, sobrou a casa da família do falecido.
Mesmo arrasado, o irmão do finado nos recebeu muito bem, como é costume das pessoas simples da roça. Só que não deu nem tempo dele agradecer os pêsames e já estávamos pedindo se podíamos nos arrumar ali mesmo para festa. O coitado do homem não teve muito que fazer, quando viu já estávamos agilizando o nosso lado. Mas ele ainda conseguiu dizer que além do banheiro social, também havia um em seu quarto que poderíamos usar.
Foi um pouco constrangedor ir tirando o vestido e a maquiagem e toda a parafernália da mala, ao mesmo tempo em que manifestava os meus sentimentos pela perda, mas o que se há de fazer... são as contingências da vida (ou da morte, sei lá). Porém o mais insólito ainda estava por vir... Ia eu entrando no banheiro, quando da soleira avisto uma galinha!! A mesma estava a alguns passos de distância, mas o suficiente para que eu levasse um susto. E diante do meu grito, ainda tive que ouvir de alguém : “Antes de entrar no banho dá uma olhada se não tem galinha no boxe”. Por um momento, achei que estavam brincando e contive o riso apenas em solidariedade ao luto dos donos da casa. Mas logo percebi que ninguém ali estava pra brincadeira. Acho que na roça o direito constitucional de ir e vir é assegurado também as galinhas. Tal como acontece com cachorrinhos de madame nas cidades, as galináceas recebem tratamento vip. Nada de restringi-las somente ao galinheiro. Sendo assim, podemos perfeitamente encontrar uma galinha placidamente ciscando aos pés do sofá, beliscando algo na cozinha ou alojada em cima de uma cama, sem que ninguém a incomode.
Mas, infelizmente como “cria da cidade grande” que sou não estou acostumada com tanto natureza. E, assim, quando dei por mim estava quase paranóica, vasculhando cada canto do banheiro a fim de garantir que meu banho não seria interrompido por nenhuma penosa inconveniente.
Findo o banho, foi preciso verificar se não havia nenhuma pena no vestido e seguir com os preparativos. Mais alguns minutos, e todos estavam prontos. E assim elegantes e, graças a Deus, livres de pena seguimos para a festa que nos aguardava. Antes que pensem que eu e minha família somos insensíveis cabe esclarecer uma questão. Quando digo sem pena, é no sentido literal, pois é claro, sentíamos compaixão pela família que nos acolheu mesmo numa hora tão difícil (e emprestou banheiro, espelho e tudo mais). Embarcarmos de volta na van, e ouvimos os votos de boa festa enquanto prometíamos que iríamos ao enterro no dia seguinte.
Ocorre que o casamento demorou mais do que o previsto. A noiva, para não fugir a tradição, atrasou. E na festa, era preciso colocar o papo em dia com aquela parte da família que só se vê nas férias, em casamento e em velórios. Sendo assim, quando vimos a hora já estava avançada e ainda era preciso resolver um pequeno problema: o local para dormir. Cogitou-se dormir na van, até que um tio bondoso ofereceu sua casa próxima ao local das núpcias e, exaustos, aceitamos de bom grado.
No fim das contas deu tudo certo, exceto pelo fato que eu estava tão cansada que só deu tempo de colocar a roupa de dormir e desmaiar em cima da cama de alguém, desalojando o infeliz dono do quarto. Mas isto só percebi ao acordar no dia seguinte com um zum-zum-zum. Pensei que o barulho era porque estavam todos se arrumando para o enterro, mas me equivoquei. Estavam voltando!!! Dormi tanto que perdi a hora da despedida final! Mas, pelo menos, fui posta a par dos acontecimentos por aqueles que lá compareceram: Zé Conchinha foi enterrado muito dignamente, da maneira que sempre sonhou. Em uma das mãos, o pandeiro, velho companheiro das rodas de seresta que tanto gostava. E no caixão, ao invés de manto ou bandeira, repousava singela apenas uma pena. Era a última homenagem de Anastácia, sua galinha de estimação.
Sábado, seis horas da manhã: acordo assustada antes mesmo do galo cantar (ou pelo menos assim seria, se um galo houvesse no meu apartamento). Preciso fazer tudo às pressas: escovar os dentes, pentear o cabelo, fazer a mala.
A parte da família que mora na cidade grande alugou uma Van e dentro de alguns minutos estaremos todos partindo para o interior a fim de prestigiar o matrimônio de um primo querido.
A van chega e desço ainda penteando os cabelos. Sou a última a entrar e cumprimento os que já estão alojados. Mas é preciso arrumar lugar para minhas roupas, inclusive para o vestido de festa. Para não fugir à regra feminina, levo uma mala, uma valise, um cabide com a roupa da festa e já arrependida pergunto a mim mesma o que será que eu faria se fosse ficar uma semana ao invés de um dia. Empurra daqui, ajeita dali, ajuda de cá e com algum custo a família consegue acomodar minhas bugigangas (embora certamente estivessem com vontade de jogá-las pela janela, juntamente com a dona).
Todos devidamente alocados seguimos viagem. Alguns dormem, outros aproveitam para colocar o papo em dia, até que no meio da estrada o telefone de alguém toca e chega a fatídica noticia: Zé Conchinha morreu!!
Tremendo rebuliço. O falecido morava na roça há muitos anos e era tremendamente querido na região, um dessas figuras folclóricas que fazem a graça das cidades do interior. Imediatamente me passam pela cabeça dois pensamentos. Primeiro: O morto não é da família dos noivos, não vai atrapalhar o casamento. Segundo: A vantagem dele ter morrido hoje é que vai dar pra economizar tempo e transporte.
E assim, o que era uma viagem para prestigiar um enlace matrimonial s desdobra também em uma viagem para acompanhar um enterro. Quando vejo, estamos discutindo com que roupa iremos ao enterro, afinal havíamos nos preparado para um casamento. Certamente não pegaria bem aparecermos no cemitério com nossos longos e smokings. Fui salva por uma tia que, havia levado umas roupas extras e se prontificou a me emprestar uma. Prevenida, ela já havia contado com a possibilidade de Zé passar desta para melhor na ocasião de nossa visita, posto que ele se encontrava naquele estado de “morre- não –morre”.
Após horas de viagens, alguém se deu conta de que era chegada a hora de nos arrumarmos para a festa. Havia só um probleminha: Onde?
A família dos noivos já havia ido para igreja e nos outros locais não havia espaço adequado. Por falta de opção e correr do relógio, sobrou a casa da família do falecido.
Mesmo arrasado, o irmão do finado nos recebeu muito bem, como é costume das pessoas simples da roça. Só que não deu nem tempo dele agradecer os pêsames e já estávamos pedindo se podíamos nos arrumar ali mesmo para festa. O coitado do homem não teve muito que fazer, quando viu já estávamos agilizando o nosso lado. Mas ele ainda conseguiu dizer que além do banheiro social, também havia um em seu quarto que poderíamos usar.
Foi um pouco constrangedor ir tirando o vestido e a maquiagem e toda a parafernália da mala, ao mesmo tempo em que manifestava os meus sentimentos pela perda, mas o que se há de fazer... são as contingências da vida (ou da morte, sei lá). Porém o mais insólito ainda estava por vir... Ia eu entrando no banheiro, quando da soleira avisto uma galinha!! A mesma estava a alguns passos de distância, mas o suficiente para que eu levasse um susto. E diante do meu grito, ainda tive que ouvir de alguém : “Antes de entrar no banho dá uma olhada se não tem galinha no boxe”. Por um momento, achei que estavam brincando e contive o riso apenas em solidariedade ao luto dos donos da casa. Mas logo percebi que ninguém ali estava pra brincadeira. Acho que na roça o direito constitucional de ir e vir é assegurado também as galinhas. Tal como acontece com cachorrinhos de madame nas cidades, as galináceas recebem tratamento vip. Nada de restringi-las somente ao galinheiro. Sendo assim, podemos perfeitamente encontrar uma galinha placidamente ciscando aos pés do sofá, beliscando algo na cozinha ou alojada em cima de uma cama, sem que ninguém a incomode.
Mas, infelizmente como “cria da cidade grande” que sou não estou acostumada com tanto natureza. E, assim, quando dei por mim estava quase paranóica, vasculhando cada canto do banheiro a fim de garantir que meu banho não seria interrompido por nenhuma penosa inconveniente.
Findo o banho, foi preciso verificar se não havia nenhuma pena no vestido e seguir com os preparativos. Mais alguns minutos, e todos estavam prontos. E assim elegantes e, graças a Deus, livres de pena seguimos para a festa que nos aguardava. Antes que pensem que eu e minha família somos insensíveis cabe esclarecer uma questão. Quando digo sem pena, é no sentido literal, pois é claro, sentíamos compaixão pela família que nos acolheu mesmo numa hora tão difícil (e emprestou banheiro, espelho e tudo mais). Embarcarmos de volta na van, e ouvimos os votos de boa festa enquanto prometíamos que iríamos ao enterro no dia seguinte.
Ocorre que o casamento demorou mais do que o previsto. A noiva, para não fugir a tradição, atrasou. E na festa, era preciso colocar o papo em dia com aquela parte da família que só se vê nas férias, em casamento e em velórios. Sendo assim, quando vimos a hora já estava avançada e ainda era preciso resolver um pequeno problema: o local para dormir. Cogitou-se dormir na van, até que um tio bondoso ofereceu sua casa próxima ao local das núpcias e, exaustos, aceitamos de bom grado.
No fim das contas deu tudo certo, exceto pelo fato que eu estava tão cansada que só deu tempo de colocar a roupa de dormir e desmaiar em cima da cama de alguém, desalojando o infeliz dono do quarto. Mas isto só percebi ao acordar no dia seguinte com um zum-zum-zum. Pensei que o barulho era porque estavam todos se arrumando para o enterro, mas me equivoquei. Estavam voltando!!! Dormi tanto que perdi a hora da despedida final! Mas, pelo menos, fui posta a par dos acontecimentos por aqueles que lá compareceram: Zé Conchinha foi enterrado muito dignamente, da maneira que sempre sonhou. Em uma das mãos, o pandeiro, velho companheiro das rodas de seresta que tanto gostava. E no caixão, ao invés de manto ou bandeira, repousava singela apenas uma pena. Era a última homenagem de Anastácia, sua galinha de estimação.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Mais estranho que a ficção
Assisti em dezembro passado a uma palestra do novelista Manoel Carlos e no meio da sua explanação ele citou uma frase da qual gosta muito e da qual não recorda o autor, algo mais ou menos assim "O problema da ficção é que ela tem que fazer sentido, a realidade não".
Na mesma hora me lembrei dos noticiários da TV e de muitas coisas que não fazem sentido:
uma criança que resiste e vive apesar das agulhas enfiadas no corpo por um padrasto cruel;
uma criança que cai na linha de uma estação de metrô, é atropelada pelo trem e sofre apenas escoriações leves;
A queda de uma viaduto numa avenida movimentada de São Paulo, sem vítimas fatais.
A demora de mais de uma semana para enterrar o corpo de um astro pop mundialmente famoso e a transformação de seu funeral em um grande evento;
E para recuar um pouco mais no tempo, o inacreditável esqueleto do que deveria ser a cidade da música, fincado bem no meio da Barra da Tijuca. Toda vez que passo pela finada - e gigantesca - obra, penso nos milhões mal aproveitados que foram empregados ali e fico imaginando seu futuro. Será que um dia será concluída? Ou será que daqui há 1.000 anos guias a apresentarão aos turistas da seguinte maneira:
- Aqui estão as ruínas da Cidade da música, aquela que foi sem nunca ter sido.
Meu amigo, menos otimista, acha que a obra vai servir de esconderijo para criminosos e virar um antro do mal. Espero que ele esteja errado. Mas como a realidade não faz mesmo o menor sentido...
Na mesma hora me lembrei dos noticiários da TV e de muitas coisas que não fazem sentido:
uma criança que resiste e vive apesar das agulhas enfiadas no corpo por um padrasto cruel;
uma criança que cai na linha de uma estação de metrô, é atropelada pelo trem e sofre apenas escoriações leves;
A queda de uma viaduto numa avenida movimentada de São Paulo, sem vítimas fatais.
A demora de mais de uma semana para enterrar o corpo de um astro pop mundialmente famoso e a transformação de seu funeral em um grande evento;
E para recuar um pouco mais no tempo, o inacreditável esqueleto do que deveria ser a cidade da música, fincado bem no meio da Barra da Tijuca. Toda vez que passo pela finada - e gigantesca - obra, penso nos milhões mal aproveitados que foram empregados ali e fico imaginando seu futuro. Será que um dia será concluída? Ou será que daqui há 1.000 anos guias a apresentarão aos turistas da seguinte maneira:
- Aqui estão as ruínas da Cidade da música, aquela que foi sem nunca ter sido.
Meu amigo, menos otimista, acha que a obra vai servir de esconderijo para criminosos e virar um antro do mal. Espero que ele esteja errado. Mas como a realidade não faz mesmo o menor sentido...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
RETROSPECTIVA 2009: DE TUDO UM POUCO
Olá, pessoal
Dois mil e nove está chegando ao fim e como sempre, nos enchemos de esperança com o ano vindouro. Não me arrisco a prever o que vai acontecer em 2.010, mas posso garantir que no finalzinho deste ano ainda teremos:
- Rabanadas, perus e panetones
- Videntes prevendo o futuro
- Filmes natalinos
-Lista dos melhores do Ano
- Retrospectivas em jornais, revistas e emissoras de TV
E para não fugir a Regra - e ao espirito otimista desta época - quero deixar de lado as tristezas e fazer um misto dos dois últimos itens, compartilhando com vocês a minha "Restropectiva dos melhores", só com coisas boas do ano que se finda.
Vamos lá,
EM ESCALA PRIVADA
NATUREZA
Vida
Às vezes passa tão corrida, que mal reparamos nas pequenas coisas, mas não raro, são essas que nos fazem sorrir. Pelo menos, no meu ano, foram campeãs:
Um tucano dando o ar da graça em pleno Alto da Boa Vista
Em um dia de 2009 estava lendo no ônibus o livro "Mentes Perigosas" (ver abaixo), que é maravilhoso, mas pesado. Atordoada com a violência de uma cena descrita, olho um pouco pela janela para respirar e lá está ele, lindo, com seu bico amarelo enorme, lépido e fagueiro. Ganhei o dia!
Uma preguiça no meio do Caminho
Outra do Alto da Boa Vista - Um engarrafamento monstruoso, carros de bombeiros... seria atropelamento? Batida? Nada disso. Apenas um simpático bicho-preguiça que resolvera atravessar a rua com a calma que lhe é peculiar. Diante disto, qualquer mau humor some! (Felizmente os bombeiros conseguiram salvá-lo de um atropelamento).
Nascimentos e Renascimentos
Crianças que nasceram e pessoas que se saíram bem de cirurgias e afins. O milagre da vida, mais do que especial!
Encontros e Reencontros
Em 2009 tive a oportunidade de conhecer muita gente talentosa e especial: meus professores José Louzeiro e Maria Carmem Barbosa; os colegas do GRTV, sempre generosos em compartilhar experiências e notícias, os colegas da Estação das Letras.
E a chance de rever e voltar a ter contato com pessoas queridas que não via a muito tempo: Paula Amaral, minha primeira professora de roteiro;Clarissa, Danielle, Lia e Paulinho, Ana Paula (ainda mais linda vestida de noiva), Kedma, Glaucia, Katia, Alexandra, amigos de infância, adolescênscia, faculdade, alguns da vida inteira. Como foi bom revê-los!!!
Viagens
Em 2.009 tive a oportunidade de conhecer lugares maravilhosos, como Rio Grande do Norte, com suas dunas e praias fantásticas e o Chile,com toda a beleza e imponência da Cordilheira dos Andes.
NA ESFERA PÚBLICA
Esportes:
Olimpiadas 2016
Ainda é cedo para sabermos no que vai dar, mas, o fato do Rio sediar um evento deste porte, nos enche de esperança de tempos melhores.
Vitórias
As vitórias de César Cielo na natação
A vitória da força de Felipe Massa sobre o feio acidente que sofreu.
Diego Hypolito e a conquista do Tetracampeonato na Copa do Mundo de ginástica Olimpica, realizada na Croácia
As vitórias dos times do Rio:O Flamengo é HEXA! E os outros pelo menos, conseguiram se manter de pé, apesar dos percalços.
TELEVISÃO
Caminho das Indias, de Glória Perez.
Para alguém como eu, apaixonada por telenovelas, foi um prazer assistir essa.
Fiquei muito feliz quando ganhou o EMY, achei merecidissimo!
Muitos falaram que, independente das cenas serem na India ou na Lapa, era só dança. Pois eu confesso: Torci pela Maya e pelo Raj, me emocionei com os dramas de Tarso e Tônia, ri com César e Ilana e com Norminha e Abel e senti muita raiva de Raul e Ivone. Ah, e vibrei junto com minhas amigas do trabalho a cada reviravolta!
Em geral acusam a autora de ser fantasiosa e é mesmo!
Porém, concordo com ela quando diz que quem quer apenas a realidade deve assistir telejornal, não telenovela. Glória nos oferece a chance de sermos transportados para outras culturas e locais, sonhar, sonhar e sonhar... Viva a fantasia! Ari Baba!
Revelações
Já que estavamos falando de "Caminho das Indias" quero citar o ator Sidney Santiago, que teve cenas maravilhosas nesta novela, principalmente no inicio. Sei que ele já havia feito outros trabalhos, porém, este foi o de maior projeção. A cena do primeiro surto de Ademir em casa foi fantástica! E isto para citar apenas um exemplo. Outro ator jovem que teve boas cenas na mesma novela foi André Arteche, o Indra, que segurou bem a onda de contracenar com a sempre ótima Dira Paes. Pena que na reta final da novela,seus personagens sumiram um pouco de cena.
Som & Fúria , de Fernando Meirelles
Simplesmente impagável a minissérie, com Felipe Camargo e Andréa Beltrão encabeçando o elenco. Humor ágil, texto inteligente, atuações perfeitas! Sempre achei que atores davam personagens fascinantes e a minissérie comprovou isto. Nota DEZ! Dentre outas cenas antológicas, só as de Elen, personagem de Andréa, transformando a fiscal do imposto de renda em analista já valeriam uma espiada.
TEATRO
Teatro para todos
Pelo terceiro ano consecutivo, aproveitei a campanha organizada pelos produtores de teatro, que oferece ingressos a preços mais acessíveis. Uma ótima iniciativa, pois permite que mais pessoas possam desfrutar desta arte incrivel que é o teatro.
Hairsplay, de Miguel Falabella
Gostaria de ter ido muito mais ao teatro do que fui este ano, porém, esta peça já valeu a temporada. Alegre, vibrante, cheia de cor. Dá vontade de sair do teatro cantando e dançando! Sem contar, o prazer de descobrir uma nova atriz, tão talentosa. Já tinha ouvido falar de Simone Gutierrez, mas, vê-la no palco supera todas as expectativas. Ela dança, canta,atua magistralmente e tem uma voz belissima. Pena que não vendiam o CD do espetáculo, senão eu o teria comprado sem pensar duas vezes.
PALESTRAS:
Ciclo de Palestras EscreVENDO para TV,
Simplesmente imperdivel para quem trabalha ou quer trabalhar na área. Infelizmente perdi as duas primeiras com Tiago Santiago e Maria Carmem Barbosa - de quem tive o prazer de ser aluna - pois só soube do Ciclo quando já estava em andamento. Mas pude assistir as de Ana Maria Moretzhon e Manoel Carlos, dois autores queridos e extremamente simpáticos, que responderam todas as perguntas do público. E a apresentadora já anunciou que no próximo ano ocorrerá o Ciclo "EscreVENDO para cinema".
BLOG/SITE
É tanta gente boa, tanto conteúdo interessante, que aqui vou ter que dividir espaço.
Para ser imparcial, vou deixar o folhetimblog e o avalie.realize como neutros;
Vamos a lista:
http://roteirostelevisao.blogspot.com/, de Leonardo de Moraes - Um blog generoso com dicas valiosas para quem se aventura no mundo das letras e dos roteiros. Como se não bastasse, Leonardo é ainda o moderador do GRTV, um grupo de discussão incrivel!
http://euprefiromelao.blogspot.com - Uma delícia de ler! O autor, Vítor, escreve de uma maneira simples e gostosa sobre um tema idem: as telenovelas. E, como Leonardo, tem a generosidade de compartilhar conosco informações valiosas. Foi através deste blog que eu soube do Ciclo de Palestras acima mencionado.
LIVROS
Autores: Histórias da Teledramaturgia
Este ano tive a felicidade de ganhar de presente a Coleção Autores, da Editora Globo. São entrevistas com autores vivos da Rede Globo, que compartilham com o público desde histórias curiosas até o seu processo de criação. Maravilhoso!
Mentes Perigosas de Ana Beatriz Barbosa Silva
Já a algum tempo sou fã dos livros desta psiquiatra. Admiro a maneira simples como aborda temas controversos como as compulsões ou as psicopatias. Para quem tem interesse na mente humana, os livros de Ana sempre valem a pena.
SHOW
Juninho Salvador
Um show porreta! A banda pode não ser ainda muito conhecida no municipio do Rio, mas arrebenta no interior e tbém em algumas cidades de MG e ES, onde se dá mais valor ao estilo baiano. Samba-duro, Axé, pagode baiano. Os caras mandam bem em tudo.
E já receberam elogios desde gente do forró, como Jorge Medeiros, até roqueiros, como Dr.Silvana, passando por pagodeiros, como Gustavo Lins (com quem Juninho Salvador assina uma composição). Vale a pena conferir.
Como fã nº1, eu mesma postei imagens do show em http://www.youtube.com/watch?v=K57kZfuHrEU
Quem quiser dar os seus palpites na lista, fique à vontade. Desejo que em 2.010 estejamos cada vez mais próximos e que possamos continuar desfrutando das coisas boas que a vida nos oferece!
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Um Ótimo 2.010!!!!
Olá, pessoal
Dois mil e nove está chegando ao fim e como sempre, nos enchemos de esperança com o ano vindouro. Não me arrisco a prever o que vai acontecer em 2.010, mas posso garantir que no finalzinho deste ano ainda teremos:
- Rabanadas, perus e panetones
- Videntes prevendo o futuro
- Filmes natalinos
-Lista dos melhores do Ano
- Retrospectivas em jornais, revistas e emissoras de TV
E para não fugir a Regra - e ao espirito otimista desta época - quero deixar de lado as tristezas e fazer um misto dos dois últimos itens, compartilhando com vocês a minha "Restropectiva dos melhores", só com coisas boas do ano que se finda.
Vamos lá,
EM ESCALA PRIVADA
NATUREZA
Vida
Às vezes passa tão corrida, que mal reparamos nas pequenas coisas, mas não raro, são essas que nos fazem sorrir. Pelo menos, no meu ano, foram campeãs:
Um tucano dando o ar da graça em pleno Alto da Boa Vista
Em um dia de 2009 estava lendo no ônibus o livro "Mentes Perigosas" (ver abaixo), que é maravilhoso, mas pesado. Atordoada com a violência de uma cena descrita, olho um pouco pela janela para respirar e lá está ele, lindo, com seu bico amarelo enorme, lépido e fagueiro. Ganhei o dia!
Uma preguiça no meio do Caminho
Outra do Alto da Boa Vista - Um engarrafamento monstruoso, carros de bombeiros... seria atropelamento? Batida? Nada disso. Apenas um simpático bicho-preguiça que resolvera atravessar a rua com a calma que lhe é peculiar. Diante disto, qualquer mau humor some! (Felizmente os bombeiros conseguiram salvá-lo de um atropelamento).
Nascimentos e Renascimentos
Crianças que nasceram e pessoas que se saíram bem de cirurgias e afins. O milagre da vida, mais do que especial!
Encontros e Reencontros
Em 2009 tive a oportunidade de conhecer muita gente talentosa e especial: meus professores José Louzeiro e Maria Carmem Barbosa; os colegas do GRTV, sempre generosos em compartilhar experiências e notícias, os colegas da Estação das Letras.
E a chance de rever e voltar a ter contato com pessoas queridas que não via a muito tempo: Paula Amaral, minha primeira professora de roteiro;Clarissa, Danielle, Lia e Paulinho, Ana Paula (ainda mais linda vestida de noiva), Kedma, Glaucia, Katia, Alexandra, amigos de infância, adolescênscia, faculdade, alguns da vida inteira. Como foi bom revê-los!!!
Viagens
Em 2.009 tive a oportunidade de conhecer lugares maravilhosos, como Rio Grande do Norte, com suas dunas e praias fantásticas e o Chile,com toda a beleza e imponência da Cordilheira dos Andes.
NA ESFERA PÚBLICA
Esportes:
Olimpiadas 2016
Ainda é cedo para sabermos no que vai dar, mas, o fato do Rio sediar um evento deste porte, nos enche de esperança de tempos melhores.
Vitórias
As vitórias de César Cielo na natação
A vitória da força de Felipe Massa sobre o feio acidente que sofreu.
Diego Hypolito e a conquista do Tetracampeonato na Copa do Mundo de ginástica Olimpica, realizada na Croácia
As vitórias dos times do Rio:O Flamengo é HEXA! E os outros pelo menos, conseguiram se manter de pé, apesar dos percalços.
TELEVISÃO
Caminho das Indias, de Glória Perez.
Para alguém como eu, apaixonada por telenovelas, foi um prazer assistir essa.
Fiquei muito feliz quando ganhou o EMY, achei merecidissimo!
Muitos falaram que, independente das cenas serem na India ou na Lapa, era só dança. Pois eu confesso: Torci pela Maya e pelo Raj, me emocionei com os dramas de Tarso e Tônia, ri com César e Ilana e com Norminha e Abel e senti muita raiva de Raul e Ivone. Ah, e vibrei junto com minhas amigas do trabalho a cada reviravolta!
Em geral acusam a autora de ser fantasiosa e é mesmo!
Porém, concordo com ela quando diz que quem quer apenas a realidade deve assistir telejornal, não telenovela. Glória nos oferece a chance de sermos transportados para outras culturas e locais, sonhar, sonhar e sonhar... Viva a fantasia! Ari Baba!
Revelações
Já que estavamos falando de "Caminho das Indias" quero citar o ator Sidney Santiago, que teve cenas maravilhosas nesta novela, principalmente no inicio. Sei que ele já havia feito outros trabalhos, porém, este foi o de maior projeção. A cena do primeiro surto de Ademir em casa foi fantástica! E isto para citar apenas um exemplo. Outro ator jovem que teve boas cenas na mesma novela foi André Arteche, o Indra, que segurou bem a onda de contracenar com a sempre ótima Dira Paes. Pena que na reta final da novela,seus personagens sumiram um pouco de cena.
Som & Fúria , de Fernando Meirelles
Simplesmente impagável a minissérie, com Felipe Camargo e Andréa Beltrão encabeçando o elenco. Humor ágil, texto inteligente, atuações perfeitas! Sempre achei que atores davam personagens fascinantes e a minissérie comprovou isto. Nota DEZ! Dentre outas cenas antológicas, só as de Elen, personagem de Andréa, transformando a fiscal do imposto de renda em analista já valeriam uma espiada.
TEATRO
Teatro para todos
Pelo terceiro ano consecutivo, aproveitei a campanha organizada pelos produtores de teatro, que oferece ingressos a preços mais acessíveis. Uma ótima iniciativa, pois permite que mais pessoas possam desfrutar desta arte incrivel que é o teatro.
Hairsplay, de Miguel Falabella
Gostaria de ter ido muito mais ao teatro do que fui este ano, porém, esta peça já valeu a temporada. Alegre, vibrante, cheia de cor. Dá vontade de sair do teatro cantando e dançando! Sem contar, o prazer de descobrir uma nova atriz, tão talentosa. Já tinha ouvido falar de Simone Gutierrez, mas, vê-la no palco supera todas as expectativas. Ela dança, canta,atua magistralmente e tem uma voz belissima. Pena que não vendiam o CD do espetáculo, senão eu o teria comprado sem pensar duas vezes.
PALESTRAS:
Ciclo de Palestras EscreVENDO para TV,
Simplesmente imperdivel para quem trabalha ou quer trabalhar na área. Infelizmente perdi as duas primeiras com Tiago Santiago e Maria Carmem Barbosa - de quem tive o prazer de ser aluna - pois só soube do Ciclo quando já estava em andamento. Mas pude assistir as de Ana Maria Moretzhon e Manoel Carlos, dois autores queridos e extremamente simpáticos, que responderam todas as perguntas do público. E a apresentadora já anunciou que no próximo ano ocorrerá o Ciclo "EscreVENDO para cinema".
BLOG/SITE
É tanta gente boa, tanto conteúdo interessante, que aqui vou ter que dividir espaço.
Para ser imparcial, vou deixar o folhetimblog e o avalie.realize como neutros;
Vamos a lista:
http://roteirostelevisao.blogspot.com/, de Leonardo de Moraes - Um blog generoso com dicas valiosas para quem se aventura no mundo das letras e dos roteiros. Como se não bastasse, Leonardo é ainda o moderador do GRTV, um grupo de discussão incrivel!
http://euprefiromelao.blogspot.com - Uma delícia de ler! O autor, Vítor, escreve de uma maneira simples e gostosa sobre um tema idem: as telenovelas. E, como Leonardo, tem a generosidade de compartilhar conosco informações valiosas. Foi através deste blog que eu soube do Ciclo de Palestras acima mencionado.
LIVROS
Autores: Histórias da Teledramaturgia
Este ano tive a felicidade de ganhar de presente a Coleção Autores, da Editora Globo. São entrevistas com autores vivos da Rede Globo, que compartilham com o público desde histórias curiosas até o seu processo de criação. Maravilhoso!
Mentes Perigosas de Ana Beatriz Barbosa Silva
Já a algum tempo sou fã dos livros desta psiquiatra. Admiro a maneira simples como aborda temas controversos como as compulsões ou as psicopatias. Para quem tem interesse na mente humana, os livros de Ana sempre valem a pena.
SHOW
Juninho Salvador
Um show porreta! A banda pode não ser ainda muito conhecida no municipio do Rio, mas arrebenta no interior e tbém em algumas cidades de MG e ES, onde se dá mais valor ao estilo baiano. Samba-duro, Axé, pagode baiano. Os caras mandam bem em tudo.
E já receberam elogios desde gente do forró, como Jorge Medeiros, até roqueiros, como Dr.Silvana, passando por pagodeiros, como Gustavo Lins (com quem Juninho Salvador assina uma composição). Vale a pena conferir.
Como fã nº1, eu mesma postei imagens do show em http://www.youtube.com/watch?v=K57kZfuHrEU
Quem quiser dar os seus palpites na lista, fique à vontade. Desejo que em 2.010 estejamos cada vez mais próximos e que possamos continuar desfrutando das coisas boas que a vida nos oferece!
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Um Ótimo 2.010!!!!
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Cena para Master Class
Segue a cena que enviei no inicio do ano para concorrer a uma vaga na Master Class do querido Aguinaldo Silva
CENA I. QUARTO DE TIETA. INTERIOR. DIA
Continuação imediata do capítulo anterior. Perpétua leva a mão ao peito, emite um grito agudo, e cai desmaiada no chão do quarto
Ricardo (apavorado e correndo ao encontro dela) – Mãeeeeeeee! Meu Deus, será que a gente matou ela, no susto?!
Tieta – Deixe disso, menino! Vaso ruim não quebra assim fácil.
Tieta se aproxima e verifica se Perpétua está respirando
Ricardo (aflito) – É minha mãe, Tieta!
Tieta: Por isso mesmo. Conheço a peça! (Pausa) Será que não ta fingindo?
Ricardo - O choque foi grande demais pra ela!
Tieta: - Depressa! Me ajuda a botar ela na cama e corre pra buscar ajuda.
Ricardo e Tieta colocam Perpétua na cama, com esforço e se vestem, apressados. Assim que terminam, Perpétua abre os olhos
Ricardo (indo de encontro à mãe) – Graças a Deus!
Perpétua (olhando desconfiada) – Quem é você?
Ricardo (atônito) – Teu filho! Teu Cardo!
Perpétua: Filho?! Eu tenho filho?!
Ricardo: - Fala assim comigo, não, minha mãe. Me perdoa!
Perpétua: - Do que tu ta falando, rapaz? _ e olhando para o quarto – Que lugar é esse, como eu vim parar aqui?!
Tieta – É a minha casa.
Perpétua (para Ricardo) – Essa aí, quem é?
Tieta: - Ta variando, mulher?
Ricardo (sem pensar): É Tieta, minha tia, sua irmã. Mãe, nem sei como explicar o que a senhora viu...
Perpétua (cortante) – Vi? Vi o quê?! Não to entendendo nada que esse menino ta falando...
Tieta: - Perpétua, faça-me o favor...
Perpétua: - Quem é Perpétua?
Tieta: Mas que é isso agora? Vai dizer que não sabe?!
Perpétua (aos prantos) – Pobre de mim!
Tieta (desconfiada) – Pois muito bem. VOCÊ é Perpétua! Eu sou Tieta, sua irmã. Cardo é meu sobrinho, seu filho. (Pausa) - Vocês vieram me dizer algo, de repente você teve um piripaque, caiu dura e nós te trouxemos pro meu quarto.
Ricardo olha para mãe e para tia, sem saber o que fazer, mas fica quieto
Perpétua: Não consigo lembrar de nada... nadica de nada! (Para Ricardo) E quer saber? Se você é mesmo meu filho, então me leva pra minha casa! Quero ir pra minha casa!
Ricardo (erguendo Perpétua) - Vamos, mãe. Vamos pra casa.
Perpétua (olhando para Cardo e Tieta, como quem tentar reconhecer alguém) - Como é triste depender da bondade de estranhos!
Tieta (com um sorriso, forçado, acenando para eles) - Tchau, Cardo, Tchau Perpétua. Melhoras!
Quando Cardo e Perpétua saem pela porta, Tieta despenca sentada na cama, com a cabeça entre as mãos, visivelmente sem saber o que pensar.
CENA I. QUARTO DE TIETA. INTERIOR. DIA
Continuação imediata do capítulo anterior. Perpétua leva a mão ao peito, emite um grito agudo, e cai desmaiada no chão do quarto
Ricardo (apavorado e correndo ao encontro dela) – Mãeeeeeeee! Meu Deus, será que a gente matou ela, no susto?!
Tieta – Deixe disso, menino! Vaso ruim não quebra assim fácil.
Tieta se aproxima e verifica se Perpétua está respirando
Ricardo (aflito) – É minha mãe, Tieta!
Tieta: Por isso mesmo. Conheço a peça! (Pausa) Será que não ta fingindo?
Ricardo - O choque foi grande demais pra ela!
Tieta: - Depressa! Me ajuda a botar ela na cama e corre pra buscar ajuda.
Ricardo e Tieta colocam Perpétua na cama, com esforço e se vestem, apressados. Assim que terminam, Perpétua abre os olhos
Ricardo (indo de encontro à mãe) – Graças a Deus!
Perpétua (olhando desconfiada) – Quem é você?
Ricardo (atônito) – Teu filho! Teu Cardo!
Perpétua: Filho?! Eu tenho filho?!
Ricardo: - Fala assim comigo, não, minha mãe. Me perdoa!
Perpétua: - Do que tu ta falando, rapaz? _ e olhando para o quarto – Que lugar é esse, como eu vim parar aqui?!
Tieta – É a minha casa.
Perpétua (para Ricardo) – Essa aí, quem é?
Tieta: - Ta variando, mulher?
Ricardo (sem pensar): É Tieta, minha tia, sua irmã. Mãe, nem sei como explicar o que a senhora viu...
Perpétua (cortante) – Vi? Vi o quê?! Não to entendendo nada que esse menino ta falando...
Tieta: - Perpétua, faça-me o favor...
Perpétua: - Quem é Perpétua?
Tieta: Mas que é isso agora? Vai dizer que não sabe?!
Perpétua (aos prantos) – Pobre de mim!
Tieta (desconfiada) – Pois muito bem. VOCÊ é Perpétua! Eu sou Tieta, sua irmã. Cardo é meu sobrinho, seu filho. (Pausa) - Vocês vieram me dizer algo, de repente você teve um piripaque, caiu dura e nós te trouxemos pro meu quarto.
Ricardo olha para mãe e para tia, sem saber o que fazer, mas fica quieto
Perpétua: Não consigo lembrar de nada... nadica de nada! (Para Ricardo) E quer saber? Se você é mesmo meu filho, então me leva pra minha casa! Quero ir pra minha casa!
Ricardo (erguendo Perpétua) - Vamos, mãe. Vamos pra casa.
Perpétua (olhando para Cardo e Tieta, como quem tentar reconhecer alguém) - Como é triste depender da bondade de estranhos!
Tieta (com um sorriso, forçado, acenando para eles) - Tchau, Cardo, Tchau Perpétua. Melhoras!
Quando Cardo e Perpétua saem pela porta, Tieta despenca sentada na cama, com a cabeça entre as mãos, visivelmente sem saber o que pensar.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Talvez... Quem sabe?
Não sei se a lua está cheia ou minguante. Faz algum tempo que sequer me aproximo da janela. Tenho medo do que o mundo lá fora reserva para mim. Ouço, daqui mesmo, vez por outra, o barulho de um pássaro que teima em cantar bem debaixo da minha janela ou de um avião ensurdecedor, um destes pássaros-monstros da atualidade.
Vocês devem estar pensando que enlouqueci, que me tranquei dentro da minha depressão e resolvi querer morrer, aqui, quietinha, dentro do meu quarto, sem que o resto do mundo sequer tome conhecimento da minha existência. Ou talvez pensem ao contrário, que fui atacada por uma súbita sensatez e a verdade se abriu diante dos meus olhos, como uma cortina de teatro. Talvez pensem na violência que ronda a noite lá fora, no tédio, nos amores impossíveis... Amor, o que será isto? Creio que descobriram o motivo da minha tristeza. Não penso mais nas horas, não sei se é dia ou noite. De que me vale caminhar lá fora, olhar as estrelas, olhar a vida, se aqui dentro de mim não encontro mais sentido para nada? Se tudo é sempre negro desde que ele partiu?
Não sei porque escrevo isto. Talvez simplesmente porque nunca fui boa com palavras. Elas me somem, como que roubadas, cada vez que vejo alguém a quem gostaria de comunicar algo, o meu amor que fosse. Não emergem até a boca, mal atravessam as cordas vocais. Daí a necessidade de escrever. Quem sabe assim alguém possa compreender o que eu mesma não consigo? Quem sabe assim eu possa gritar para o mundo - um grito silencioso - tudo o que a boca cala? Eu posso enfim ter esperanças de me comunicar com alguém que está fora de mim, de me fazer entender ao longe, nas mais remotas montanhas... Ou quem sabe, bem perto, aqui mesmo, onde não tenho coragem de ir.
Talvez vocês achem estas palavras vazias. Certa vez ouvi dizer que tudo tinha que ter um fundo social, uma crônica para ser boa tem que passar uma mensagem política. Mas o que será social? Existirá mesmo isso? É uma palavra que não existe ou uma invenção? Uma invenção, talvez de uma criança travessa que não tinha mais o que fazer. Social? Tema? Crônica? Tudo isto é invenção do humano, é dar sentido ao que não tem sentido. Neste momento estou aqui, trancada dentro de mim mesma. Lá fora, tão perto e tão longe, há alguém protegido por paredes de pedra, vendo TV ou dormindo o que chamam o "sono dos justos” (quem sabe ainda exista algum justo); ou quem sabe esse alguém que nem sabe que eu existo estará suando em uma danceteria, a procura de um novo amor, de uma transa que seja, ou beijando uma boca que acaba de conhecer, num delírio sensual? Será isto o que chamam de social? Neste momento, estou aqui, e lá fora, sob a lua, alguém estende a mão a um estranho em busca de uma esmola, mas este não o vê. Há uma criança chorando de fome e outra de dor de dente. Estou aqui, no meu mundinho, não posso ouvi-las. Mas quem está lá fora também não as ouve. Será isto o que chamam de social? Talvez...quem sabe.
Existem milhares de pessoas lá fora. Nenhuma delas sabe que estou aqui dentro. Nenhuma delas sabe quem está do seu lado, louco também por um momento de êxtase, por um beijo que sua boca possa ofertar. Dividem a mesma lua - ou será o mesmo sol? - e não compartilham as horas do relógio. É cedo para uns, tarde para outros. Busca-se refúgios para solidão. Assim, talvez, como eu, que escrevo sem pensar e sem lamentar, a fim apenas de ver as horas passarem e, quem sabe, ver como num encanto o pesadelo se encerrar. Estou dramática hoje. Será? Talvez. De nada sei, é tudo que sei, já dizia o filósofo grego. Pra que buscar respostas? Pra que buscar perguntas? Para uma nova perspectiva, talvez. Como achar sentido na falta de um abraço? Como falar em social, se ao adentrar a noite não encontrarei ninguém diferente do que poderia encontrar em meu próprio quarto? Em meus sonhos, ao menos. Sem saber ao certo o que me guia, vou seguindo neste dilema como se meus dedos fossem teleguiados para escrever esta crônica enfadonha. Como num pedido de socorro, talvez... Temo ser chata, talvez já o esteja sendo. Pessoas sem alma são chatas. Será que perdi a alma afogada neste mar de solidão? Talvez.
Mas não... Não vá embora, é para você que eu falo. Não me deixe só. Faça-me acreditar que para além das paredes de meu quarto existe vida. Talvez existam seres que respiram e que não se importam de compartilhar seu ar e seus sonhos, sua vida e sua esperança. Quem sabe tenham esperanças? Ideais? Será que ainda existem ideais? Sou jovem ainda... Será? Tenho que acreditar nisto com todas as minhas forças. Quero ser guerreira, quero ser gente. Acreditar que ainda existe um mundo lá fora, que não são só paredes de concreto, que não é só o asfalto das ruas. Acreditar quem sabe que o ser humano ainda existe, que não estão todos virando robôs, máquinas frias, quem nem sabem sentir. Acreditar, quem sabe, que ainda há quem se comova com um crime, quem chore ao ver sangue derramado. Talvez ainda exista quem sorria com gosto, apesar das dificuldades. Quem sabe ainda exista até mesmo quem não se sinta afogado neste mar de solução? Eu disse de solução? Solidão... solução, talvez exista alguma. Quem pode me dizer? Gente mais corajosa, que não dê à cara a tapa, que não negue um beijo. Gente que acredita em gente. Quem sabe, talvez, exista até alguém disposto a me conhecer independente da distância? Mas para isso vou precisar sair do quarto. Será que vale a pena? Talvez... quem sabe. Esta pode ser a minha chance, esta pode ser a sua chance. Não coloque um muro entre nós. Vou sair da minha redoma. Saia da sua. Vamos dar as mãos, vamos tentar ser felizes. Quem sabe até fazer amigos, um churrasco de domingo, um choppinho, um gosto de quero mais? Não uma festa de aparência, mas uma alegria verdadeira dessas que contagia. Talvez, assim, desse jeito, um dia eu volte a acreditar no social, e aí, vamos escrever junto no nosso caderno que para haver vida tem que haver o outro, vamos escrever que nos preocupamos com os demais, que lutamos, que sonhamos, que temos um ideal que não é pessoal, mas SOCIAL. Quem sabe... Talvez.
Vocês devem estar pensando que enlouqueci, que me tranquei dentro da minha depressão e resolvi querer morrer, aqui, quietinha, dentro do meu quarto, sem que o resto do mundo sequer tome conhecimento da minha existência. Ou talvez pensem ao contrário, que fui atacada por uma súbita sensatez e a verdade se abriu diante dos meus olhos, como uma cortina de teatro. Talvez pensem na violência que ronda a noite lá fora, no tédio, nos amores impossíveis... Amor, o que será isto? Creio que descobriram o motivo da minha tristeza. Não penso mais nas horas, não sei se é dia ou noite. De que me vale caminhar lá fora, olhar as estrelas, olhar a vida, se aqui dentro de mim não encontro mais sentido para nada? Se tudo é sempre negro desde que ele partiu?
Não sei porque escrevo isto. Talvez simplesmente porque nunca fui boa com palavras. Elas me somem, como que roubadas, cada vez que vejo alguém a quem gostaria de comunicar algo, o meu amor que fosse. Não emergem até a boca, mal atravessam as cordas vocais. Daí a necessidade de escrever. Quem sabe assim alguém possa compreender o que eu mesma não consigo? Quem sabe assim eu possa gritar para o mundo - um grito silencioso - tudo o que a boca cala? Eu posso enfim ter esperanças de me comunicar com alguém que está fora de mim, de me fazer entender ao longe, nas mais remotas montanhas... Ou quem sabe, bem perto, aqui mesmo, onde não tenho coragem de ir.
Talvez vocês achem estas palavras vazias. Certa vez ouvi dizer que tudo tinha que ter um fundo social, uma crônica para ser boa tem que passar uma mensagem política. Mas o que será social? Existirá mesmo isso? É uma palavra que não existe ou uma invenção? Uma invenção, talvez de uma criança travessa que não tinha mais o que fazer. Social? Tema? Crônica? Tudo isto é invenção do humano, é dar sentido ao que não tem sentido. Neste momento estou aqui, trancada dentro de mim mesma. Lá fora, tão perto e tão longe, há alguém protegido por paredes de pedra, vendo TV ou dormindo o que chamam o "sono dos justos” (quem sabe ainda exista algum justo); ou quem sabe esse alguém que nem sabe que eu existo estará suando em uma danceteria, a procura de um novo amor, de uma transa que seja, ou beijando uma boca que acaba de conhecer, num delírio sensual? Será isto o que chamam de social? Neste momento, estou aqui, e lá fora, sob a lua, alguém estende a mão a um estranho em busca de uma esmola, mas este não o vê. Há uma criança chorando de fome e outra de dor de dente. Estou aqui, no meu mundinho, não posso ouvi-las. Mas quem está lá fora também não as ouve. Será isto o que chamam de social? Talvez...quem sabe.
Existem milhares de pessoas lá fora. Nenhuma delas sabe que estou aqui dentro. Nenhuma delas sabe quem está do seu lado, louco também por um momento de êxtase, por um beijo que sua boca possa ofertar. Dividem a mesma lua - ou será o mesmo sol? - e não compartilham as horas do relógio. É cedo para uns, tarde para outros. Busca-se refúgios para solidão. Assim, talvez, como eu, que escrevo sem pensar e sem lamentar, a fim apenas de ver as horas passarem e, quem sabe, ver como num encanto o pesadelo se encerrar. Estou dramática hoje. Será? Talvez. De nada sei, é tudo que sei, já dizia o filósofo grego. Pra que buscar respostas? Pra que buscar perguntas? Para uma nova perspectiva, talvez. Como achar sentido na falta de um abraço? Como falar em social, se ao adentrar a noite não encontrarei ninguém diferente do que poderia encontrar em meu próprio quarto? Em meus sonhos, ao menos. Sem saber ao certo o que me guia, vou seguindo neste dilema como se meus dedos fossem teleguiados para escrever esta crônica enfadonha. Como num pedido de socorro, talvez... Temo ser chata, talvez já o esteja sendo. Pessoas sem alma são chatas. Será que perdi a alma afogada neste mar de solidão? Talvez.
Mas não... Não vá embora, é para você que eu falo. Não me deixe só. Faça-me acreditar que para além das paredes de meu quarto existe vida. Talvez existam seres que respiram e que não se importam de compartilhar seu ar e seus sonhos, sua vida e sua esperança. Quem sabe tenham esperanças? Ideais? Será que ainda existem ideais? Sou jovem ainda... Será? Tenho que acreditar nisto com todas as minhas forças. Quero ser guerreira, quero ser gente. Acreditar que ainda existe um mundo lá fora, que não são só paredes de concreto, que não é só o asfalto das ruas. Acreditar quem sabe que o ser humano ainda existe, que não estão todos virando robôs, máquinas frias, quem nem sabem sentir. Acreditar, quem sabe, que ainda há quem se comova com um crime, quem chore ao ver sangue derramado. Talvez ainda exista quem sorria com gosto, apesar das dificuldades. Quem sabe ainda exista até mesmo quem não se sinta afogado neste mar de solução? Eu disse de solução? Solidão... solução, talvez exista alguma. Quem pode me dizer? Gente mais corajosa, que não dê à cara a tapa, que não negue um beijo. Gente que acredita em gente. Quem sabe, talvez, exista até alguém disposto a me conhecer independente da distância? Mas para isso vou precisar sair do quarto. Será que vale a pena? Talvez... quem sabe. Esta pode ser a minha chance, esta pode ser a sua chance. Não coloque um muro entre nós. Vou sair da minha redoma. Saia da sua. Vamos dar as mãos, vamos tentar ser felizes. Quem sabe até fazer amigos, um churrasco de domingo, um choppinho, um gosto de quero mais? Não uma festa de aparência, mas uma alegria verdadeira dessas que contagia. Talvez, assim, desse jeito, um dia eu volte a acreditar no social, e aí, vamos escrever junto no nosso caderno que para haver vida tem que haver o outro, vamos escrever que nos preocupamos com os demais, que lutamos, que sonhamos, que temos um ideal que não é pessoal, mas SOCIAL. Quem sabe... Talvez.
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